A filha do pai

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País


Sinopse

Numa localidade rural, na véspera da I Guerra Mundial, a família camponesa Amoretti vive sossegada. O patriarca Pascal, viúvo, vive de abrir poços, cuidando de suas cinco filhas. Seu sossego acaba quando a mais velha, Patricia, se apaixona pelo filho do comerciante mais rico da cidade e engravida dele - enquanto ele parte para a guerra, sem saber do filho.


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Crítica Cineweb

19/12/2012

Um dos monstros sagrados do cinema francês, com mais de 90 filmes no currículo, o ator Daniel Auteuil estreia na direção com o drama romântico A Filha do Pai, adaptando romance de Marcel Pagnol (1895-1974).
 
Auteuil está à vontade no universo humanista de Pagnol, já tendo interpretado o personagem Ugolin em dois filmes adaptados de sua obra, Jean de Florette e A Vingança de Manon em 1986, sob a direção de Claude Berri – um papel que lhe rendeu um prêmio Bafta como melhor ator coadjuvante.
 
O ator também tem o cuidado de guardar para si um papel à sua medida em A Filha do Pai, o poceiro Pascal Amoretti. Homem rude e honrado, Pascal vive do duro trabalho de abrir poços numa bucólica região campestre do sul da França. Seu melhor amigo é o colega Felipe (Kad Merad). Viúvo e pai de cinco filhas, Pascal recebe cuidados especiais da mais velha, Patricia (Astrid Bergès-Frisbey, de Piratas do Caribe – Navegando em Águas Profundas), que vem trazer seu almoço no trabalho todos os dias, além de cuidar das irmãs menores.
 
Essa vida perfeitamente pacata sofre um abalo quando Patricia se envolve com Jacques Mazel (Nicolas Duvauchelle), filho do maior comerciante da cidade (Jean-Pierre Darroussin). Depois de uma paixão instantânea, a moça engravida, ao mesmo tempo em que Jacques, que é piloto, parte para a guerra, sem ter conhecimento da grande notícia.
 
No contexto de uma época mais conservadora, a gravidez é um problema incontornável para a família Amoretti, levando Patricia a refugiar-se na casa de uma tia (Marie-Anne Chazel).
 
Envolvido por um clima francamente nostálgico, o filme conta uma história em que se discutem valores de honra e dignidade que superam o dinheiro, encarnados especialmente pelo clã Amoretti e pelo agregado Felipe – que mais de uma vez tenta casar-se com Patricia, sendo repelido pela moça.
 
Se como ator Auteuil é espetacular, como diretor ainda mostra algumas hesitações. O filme ressente-se às vezes de um excesso de explicações e de uma certa falta de ritmo, ainda que nunca falte graça e delicadeza às interpretações. O elenco reúne alguns dos melhores atores da França, incluindo Sabine Azéma, no papel da intrigante mãe de Jacques Mazel.
 
Quanto a Auteuil, parece ter gostado da experiência de dirigir. Já está envolvido numa outra produção, novamente de volta à obra de Pagnol, agora adaptando La Trilogie Marsellaise, na qual, mais uma vez, vai acumular as funções de ator e diretor. 

Neusa Barbosa


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