Argo

Ficha técnica


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País


Sinopse

Escapando por pouco de serem feito reféns na invasão da embaixado do EUA em Teerã, em 1980, seis pessoas encontram refúgio secreto na embaixada do Canadá. Um agente da CIA, ajudado por um produtor de Hollywood, arma um mirabolante plano secreto para retirá-los de lá, fazendo-os passar-se por integrantes da equipe de filmagem de uma ficção científica.


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Crítica Cineweb

07/11/2012

Vencedor do Oscar de melhor filme - além de roteiro adaptado e montagem -, Argo, dirigido e estrelado por Ben Affleck (Atração Perigosa), traz às telas um acerto de contas com o passado recente dos Estados Unidos. Com base em fatos reais, mostra como foi engenhoso o resgate de seis diplomatas americanos, refugiados na embaixada canadense no  turbulento Irã, em 1980.
 
Para o espectador entender o contexto, Affleck oferece no início da projeção uma narrativa em quadrinhos sobre como os EUA ajudaram o xá Mohammad Reza Pahlavi a governar, a partir de interesses econômicos, e, após a sua deposição (1979), pelo célebre Aiatolá Khomeini, concedendo a ele asilo político. Fato que enfureceu a população na época, que via no antigo xá um criminoso a ser julgado.
 
Após a negativa do pedido de extradição de Reza Pahlavi, as ruas iranianas foram tomadas por protestos, o que culminariam na invasão da embaixada dos EUA em Teerã. Esse foi o ponto de partida da histórica “crise dos reféns” (1979 - 1981), em que os seguidores de Khomeini mantiveram presos, por 444 dias, 52 americanos em retaliação à presença do antigo xá em solo americano.
 
Argo, no entanto, conta o que aconteceu com os seis diplomatas que conseguiram escapar à invasão. Escondidos na embaixada do Canadá, esperavam que a inteligência americana os tirasse de lá o mais rápido possível. Como não havia condições de se iniciar uma guerra contra o país, apelou-se para formas pouco ortodoxas para recuperar estes cidadãos. 
 
Nesse momento, entra em cena o oficial da CIA Tony Mendez (Affleck), que coordena um resgate rocambolesco. Para entrar no país disfarçado, contrata os serviços de um mago da maquiagem, premiado com o Oscar, John Chambers (John Goodman) e do produtor Lester Siegel (Alan Arkin) para criarem um falso filme, “Argo”, cuja história de ficção científica poderia ter como set de filmagens o exótico Irã.
 

Com aprovação dos mais altos oficiais do governo, Mendez patrocina o anúncio do filme, com contratação de atores, publicidade e até coletiva de imprensa internacional, enquanto supostamente busca locações para sua pretensa empreitada. Um jogo de cena para provar ao ministério da Cultura do Irã que precisa entrar no país, junto com sua equipe, incluindo os tais diplomatas refugiados, sob disfarce.

Apesar de ser uma dramatização, todo o roteiro é extraído de arquivos secretos, só revelados a público durante o governo de Bill Clinton, em meados dos anos 2000. E Affleck consegue trazer à tela o drama, com uma direção competente, ao mesmo tempo em que diverte pelas ironias ao mundo ilusório hollywoodiano, perspectiva à qual está muito acostumado.

Sem esmiuçar demais os conflitos político, social ou mesmo cultural que evoca, Argo constrói uma narrativa tensa, apesar do alívio cômico proporcionado por Arkin e Goodman. O roteiro dá créditos e homenagens aos americanos esquecidos pelo lacre do segredo de Estado, mas, por outro lado, apenas brutaliza os iranianos da época. 

Rodrigo Zavala


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