Ruby Sparks - A Namorada Perfeita

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Sinopse

Calvin é um escritor que conheceu fama e sucesso aos 19 anos, quando estourou seu primeiro romance. Dez anos depois, ele luta contra o bloqueio criativo e cria a história de uma mulher ideal, Ruby. Ele sonha com a moça. Um dia, encontra-a num parque e acha que ficou louco...


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/10/2012

De quando em quando, um filme renova um gênero e comprova que a vida inteligente sobrevive em qualquer lugar, mesmo na inóspita engrenagem da produção em massa de Hollywood, mesmo no terreno sufocado de clichês próprios do chamado “cinema independente”. A última surpresa no reino da comédia romântica atende pelo nome de Ruby Sparks – A Namorada Perfeita, da dupla de diretores Johathan Dayton e Valerie Faris.
 
Os diretores de Pequena Miss Sunshine (2006) - que faturou mais de US$ 100 milhões na bilheteria mundial, a ponto de permitir a produção deste daqui sem concessões -, combinam, na medida certa, o espanto, a graça e a ternura do romance improvável entre um escritor precoce e genial em bloqueio criativo, Calvin Weir-Fields (Paul Dano), e uma adorável pintora, Ruby Sparks (Zoe Kazan), que nasceu diretamente de sua imaginação.
 
A estranheza que se sustenta ao longo deste primeiro roteiro assinado pela atriz Zoe Kazan, neta de Elia Kazan, é justamente um dos ingredientes essenciais para o sabor particular do filme. Se Ruby é apenas uma personagem do novo livro de Calvin, isto quer dizer que ela não existe – e que, portanto, ele está louco, já que a enxerga em seu apartamento ?
 
Este é, na verdade, o ponto de partida, porque logo se constata que outras pessoas são capazes de ver e conversar com Ruby, como o irmão de Calvin, Harry (Chris Messina). Como não se trata de alucinação coletiva, então Ruby existe – ou passou a existir, por um desses mistérios inexplicáveis da existência, ou da criatividade literária, ou ambos. Uma das delícias da história, justamente, está em não estabelecer fronteiras rígidas demais entre arte e vida. Afinal, uma não alimenta a outra, tornando-a mais interessante, mais rica em nuances ?
 
A mistura entre realidade e fantasia, aliás, aproveita-se muito bem do detalhe de que Paul e Zoe são namorados na vida real, injetando verdade em sua intimidade, entrosamento e inevitáveis conflitos. Porque, mesmo ideal como é, nascida dos sonhos de Calvin, Ruby, de repente, passa a exercer uma vontade própria que ele não previu, nem inventou.
 
Nova estranheza se instala nessa segunda metade do filme, quando se experimenta as possibilidades da criatura estar escapando aos ditames do criador – e também se ele vai exercer até o final o seu “direito” de moldá-la à própria vontade.
 
Mesmo com esta sofisticação implícita no tecido mesmo de sua história, a roteirista, os atores e os diretores nunca perdem de vista que estão criando um romance, vivo e, muitas vezes, divertido. O fato de nem tudo estar garantido de antemão, como se o mocinho vai mesmo ficar com a mocinha no final, transforma-se em mais um elemento de emoção – que há muito a esmagadora maioria das comédias românticas tem sido incapazes de despertar. Ainda mais com o mesmo frescor, o ritmo e a imaginação deste filme, uma das apostas mais prováveis nas indicações ao Oscar 2013.

Neusa Barbosa


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