Rota Irlandesa

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País


Sinopse

Fergus perde seu melhor amigo num incidente no Iraque. Eles trabalhavam como seguranças particulares naquele país, atraídos por bons salários, apesar dos riscos. Agora, ele investiga o que há por trás da morte do companheiro.


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Crítica Cineweb

02/10/2012

A Rota Irlandesa, em Bagdá, tem cerca de 12 km de extensão e foi considerada a estrada mais perigosa do mundo, ligando o aeroporto da capital iraquiana a uma região fortificada conhecida como Zona Verde, e, mais tarde, Zona Internacional. Ela serve também como metáfora para o longa Rota Irlandesa, de Ken Loach. O personagem central, que esteve no Iraque como segurança privado, está em busca da verdade sobre o que aconteceu com seu melhor amigo, morto quando estava supostamente em ação.
 
Conhecido por seu cinema de empenho social, o premiado cineasta inglês (Meu nome é Joe, À Procura de Eric) não deixa de lado sua crença na capacidade do cinema de denunciar e questionar. Ao voltar sua câmera para a guerra do Iraque, ele não fala apenas das atrocidades do conflito, mas também das vidas despedaçadas daqueles que estão fora do campo de batalha, compondo um retrato intimista das consequências do conflito.
 
O protagonista é Fergus (o impressionante Mark Womack), ex-agente de segurança privado que voltou do Iraque, onde ficou seu melhor amigo, Frankie (John Bishop), como Fergus, atraído pelo bom salário da perigosa função em tempos de desemprego na Europa. Mais tarde, quando recebe a notícia da morte de Frankie, Fergus resolve investigar por conta própria o que aconteceu. Durante o funeral do amigo, o protagonista recebe o aparelho celular dele, obtido através da dona de um bar onde iam em seus momentos de folga.
 
O que há no celular é assustador: um vídeo de civis sendo mortos por um grupo de profissionais da mesma empresa de segurança para a qual Frankie trabalhava. Desconfiado da conexão desse vídeo com a morte do amigo, Fergus leva o aparelho para um músico iraquiano, Harim (Talib Rasool), para que este traduza os diálogos.
 
Rachel (Andrea Lowe), viúva de Frankie, num primeiro momento culpa Fergus, já que foi ele quem convenceu o marido a ir para o Iraque. Com o tempo, une-se a ele para descobrir a verdade sobre sua morte. O músico iraquiano, por sua vez, fica horrorizado com o que vê e pede para colocar o vídeo na internet para tornar a denúncia pública – mas Fergus quer fazer justiça sozinho.
 
Escrita por Paul Laverty, colaborador habitual de Loach, a trama entra não apenas na questão da guerra, mas também na legitimidade da vingança. O pouco de humanidade que sobrava em Fergus é consumida à medida em que seu único objetivo de vida torna-se matar os responsáveis pela morte do amigo.
 
Além da legitimidade da vingança, há também a questão da falibilidade da Justiça – afinal, informações são manipuladas de acordo com interesses, o que Fergus, cego de fúria, não percebe direito. Com o filme, um tanto sombrio, Loach e Laverty parecem dizer que não há uma saída simples para situações como as criadas por guerras, que, para alguns, são apenas sinônimo de lucro.

Alysson Oliveira


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