Selvagens

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País


Sinopse

O. vive com seus dois namorados, os amigos Chon e Ben, que ganham dinheiro produzindo a melhor maconha do mundo. Quando uma chefona mexicana do tráfico quer parceria com os rapazes e eles não aceitam, a vida do trio se transforma num espiral de sangue e vingança.


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Crítica Cineweb

02/10/2012

Ao longo de suas quatro décadas atrás das câmeras, o cineasta norte-americano Oliver Stone nunca teve receio de levar seus personagens até o inferno. Foi assim em Assassinos por natureza, A Reviravolta, Nascido em 4 de julho, entre outros. Em Selvagens não é diferente. O longa é uma tortuosa descida ao fundo do poço da humanidade e, no caminho, até as almas que ainda são puras se pervertem. Enfim, no mundo de Stone, não há salvação – somos todos culpados.
 
Não há mocinhos ou bandidos – todos se corrompem mais cedo ou mais tarde no inferno que se materializa no sul da Califórnia, fronteira com o México, onde o tráfico de drogas é a principal fonte de renda dos personagens. Os amigos Chon (Taylor Kitsch) e Ben (Aaron Johnson) dividem a plantação e distribuição da melhor maconha do mundo. Dividem também a cama com O. (Blake Lively) e todos vivem muito bem num ménage a trois. É a garota quem conta a história e em sua narrativa explica as coisas - às vezes até demais.
 
Stone transforma esse triângulo amoroso sem tensão numa espécie de noir diurno que dialoga com o western e o romance. Não ficam de fora também os tiques comuns do cineasta – como diversos formatos e texturas ao longo de uma mesma cena, além de malabarismos narrativos. Mas o que poderia acarretar uma tremenda confusão cinematográfica se organiza numa espécie de ópera pop, com grandiloquência – um tom que nem sempre merece mas, por isso mesmo, torna-se divertido.
 
O., na verdade, se chama Ophelia e poderia ser a garota, rica, linda e loira desprovida de qualquer profundidade. No fundo, ela é o símbolo do sonho americano apodrecido – quer tudo e sem qualquer esforço. Seus dois companheiros são opostos entre si. Chon lutou no Iraque e no Afeganistão, é durão e tem pavio curto. Ben jamais matou alguém e passa temporadas ajudando crianças pobres na África. A única coisa que têm em comum é O. – e ela bem sabe disso.
Esses – até certo ponto – são os personagens de alma pura. Os corrompidos, ao menos desde o começo, são os mexicanos cujo cotidiano inclui decapitações e sequestros. La Reina Elena (Salma Hayek) comanda um cartel direto do México e quando a dupla Chon e Ben não aceita fazer negócios com ela, não hesita em mandar seu capanga sequestrar O. Ele é Lado (Benicio Del Toro), um sujeito sem qualquer escrúpulo.
 
O conceito de selvagem – e selvageria, em consequência – oscila ao longo do filme. Para os mexicanos, o dois gringos dividindo a mesma garota sem qualquer crise de consciência não é aceitável. O trio de americanos parece não ter qualquer respeito por família, honra e decência. Estes, por sua vez, veem os vizinhos mexicanos como os selvagens capazes de degolar e atear fogo em seus inimigos. Enfim, um conceito volátil que toma a forma que interessa ao enunciador.
 
Baseado num romance homônimo recém-lançado no Brasil, de Don Winslow, Selvagens, o filme deixa de lado a prosa quase telegráfica do escritor – que assina o roteiro com Stone e Shane Salerno – para mergulhar nos excessos barrocos típicos do cineasta. Se, para alguns, estas escolhas podem enfraquecer a trama, por outro, pode estar nestes maneirismos também uma certa graça, uma vez que a trama em si é pueril e uma mera desculpa para Stone abusar deles. No fundo, tal como o conceito de selvagem dentro do filme, essas são opiniões que variam conforme o referencial.

Alysson Oliveira


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