Tudo o que desejamos

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Sinopse

Claire Conti é uma jovem juíza em ascensão, casada com um chef de cozinha e mãe de uma filha. Um dia, descobre ter um câncer gravíssimo e com poucas chances de cura. Paralelamente, empenha-se em salvar da falência a mãe de uma colega de escola da filha, atolada em dívidas e juros abusivos. Para isso, outro juiz resolve ajudá-la.


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Crítica Cineweb

18/09/2012

Um dos diretores que, sem nenhum exagero, se pode chamar de político dentro da cinematografia mundial contemporânea, o francês Philippe Lioret mantém-se firme na pegada social de seu filme anterior, Bem-Vindo (2009) – sobre o drama de um jovem imigrante ilegal e a perseguição ao seu protetor  – e constrói, em seu novo trabalho, Tudo o que desejamos, um libelo contra a voracidade das instituições financeiras contra as pequenas pessoas endividadas da Europa moderna.
Partindo de um livro de Emmanuel Carrère, Lioret e seu corroteirista Emmanuel Courcol definem esse percurso crítico a partir da figura de uma jovem juíza, Claire Conti (a atriz belga Marie Gillain, de Coco Antes de Chanel), que se compadece do inferno pessoal da mãe de uma colega de escola de sua filha, Céline (Amandine Dewasmes).
Imigrante abandonada pelo marido com uma porção de dívidas, em dificuldades por não conseguir um emprego de período integral, Céline não dá conta de manter em dia todos os seus compromissos. Rolando juros sobre juros, atualmente ela deve alguns milhares de euros, sem chance de renegociação, e sequer consegue sustentar devidamente a filha sozinha.
A juíza interessa-se por seu calvário, encontrando uma brecha nos contratos leoninos assinados pela moça – o que não resolve sua situação, mas pelo menos lhe ganha tempo. Paralelamente, a juíza descobre ter um câncer gravíssimo, com remotas chances de cura, um segredo que esconde de todos, até do marido (Yannick Renier, irmão de Jérémie Renier, ator de filmes como A Criança).
Tentando descobrir uma saída definitiva para Céline deste impasse, Claire procura um aliado, outro juiz, Stéphane (Vincent Lindon), que tem maior experiência no enfrentamento com os ardilosos contratos dos financiamentos, cheios de cláusulas obscuras e escritos com letras miúdas.
Nessa curiosa relação quase paternal entre os dois juízes é que o filme deposita seu eixo humanista. É comovente acompanhar o esforço sobre-humano da protagonista Marie Gillain na pele de uma heroína movida pelo desespero. O tempo corre contra ela, por conta da doença e das dificuldades pessoais a que a submete – inclusive porque ela supõe ser capaz de encaminhar sua própria substituição junto ao marido e à filha. Justamente no momento em que ela entra em contato com a maior fragilidade é que ela quase brinca de ser Deus, imaginando poder resolver o seu e outros destinos.

Neusa Barbosa


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