A rebelião [2011]

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


País


Sinopse

No final dos anos de 1980, Philippe, especialista em resolver crises políticas é mandando para uma colônia francesa na Polinésia, para evitar um grande tumulto. Porém, ao chegar lá, percebe que a situação é mais complexa e que pode tornar-se apenas uma marionete das autoridades francesas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/08/2012

Ator e diretor consagrado na França, Mathieu Kassovitz já passou inclusive por Hollywood, assinando Na Companhia do Medo (2003) e Missão Babilônia (2008). Filmes que podem ter acrescentado dólares à sua conta bancária, mas não lustraram a estrela do magistral diretor de O Ódio– vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes e de três César, inclusive melhor filme, em 1995.
 
Em seu novo trabalho, A Rebelião, em que atua e dirige, além de assinar em parceria a produção, o roteiro e a montagem, Kassovitz voltou para a cultura francesa e a política, campos em que exercita o melhor de seu talento. Sempre em cena, ele cria um clima tenso e envolvente, ao recontar um episódio verídico, uma rebelião ocorrida em 1988 na Polinésia Francesa, baseando-se em livro de um participante direto dos fatos, o capitão Philippe Legorjus, Ouvéa, la republique et la morale.
 
Kassovitz interpreta o capitão da GIGN, uma força altamente preparada e especializada na negociação de crises. Ele e seu pelotão são chamados a agir quando um grupo de 30 militares franceses é tomado como refém por rebeldes Kanak, que procuram a independência da ilha de Ouvéa, Nova Caledônia – até hoje, país ultramarino dependente da França.
 
Chamada para evitar um banho de sangue, a GIGN não vem só. Centenas de militares franceses de outras unidades, fortemente armados, já desembarcaram. O comando da operação não é da GIGN, o que obriga Legorjus e seus homens a acatar ordens num contexto político delicado. Nesse momento, está para acontecer o segundo turno das eleições presidenciais francesas, opondo o então já presidente socialista François Mitterrand e seu primeiro-ministro centrista, Jacques Chirac.
 
É o ponto de vista do capitão, onipresente em cena e, em alguns momentos, participando pela narração em off, que comanda a narrativa. Suas exaustivas idas e vindas no território conflagrado procuram criar um diálogo entre todas as partes, que terão voz no decorrer da trama, fornecendo um retrato límpido de uma crise extremamente complicada.
O esforço incessante do capitão, tendo como interlocutor o líder rebelde Alphonse Dianou (Iabe Lapacas), evidenciará também seu isolamento diante das intrigas de gabinete cujas origens conduzem ao Champs Elysées, sede do governo central francês – onde salta aos olhos a pouca diferença entre esquerda e direita quando se trata de uma postura diante do neocolonialismo.
 
Não por acaso, o filme pode evocar a situação da Argélia colonial, mostrada à perfeição no clássico do cinema político A Batalha de Argel (1966), do italiano Gillo Pontecorvo.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança