O gato do rabino

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Sinopse

Na Argélia dos anos 20, o rabino Sfar vive com a filha Zlabya. Os dois têm um gato muito espertinho e apegado à dona, que um dia come o papagaio e começa a falar. Muito refinado e culto, ele ajuda o rabino a estudar francês para uma prova. E um dia resolve tornar-se judeu e fazer seu "bar mitsvá".


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Crítica Cineweb

22/08/2012

Um tempo e um lugar em que os animais falavam e as pessoas de todas as religiões conviviam sem sustos, a Argélia dos anos 1920/30 é o cenário da esperta animação franco-austríaca O Gato do Rabino, em que o cineasta e quadrinhista Joann Sfar acumula as funções de corroteirista e codiretor, a partir de sua própria história em quadrinhos.
 
A animação venceu o César da categoria em 2011, além do Grande Prêmio do Festival de Annecy.
 
Dividindo a direção com Antoine Delesvaux e o roteiro com Sandrina Jardel, Sfar – diretor de Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres – conduz uma história divertida a partir do gato em questão, que nem tem nome, mas ao qual não falta personalidade.
 
O gato (voz de François Morel) pertence ao rabino Sfar (Maurice Bénichou), é culto e refinado, embora mantenha intactos os instintos da espécie – que o levam a não respeitar a integridade física do papagaio da família, depois do que subitamente o felino começa a falar.
 
Descolado e assanhado também, o gato é apaixonado por sua dona, a bela Zlabya (Hafsia Herzi), a filha do rabino. Lê para ela grandes obras da literatura mundial, como O Vermelho e o Negro, de Stendhal, e faz de tudo para não sair de perto dela.
 
Chocado com a súbita tagarelice de seu bichano, o rabino não deixa de temer pela má influência do animal sobre sua filha. E dá um jeitinho de controlar seu tempo ao lado dela. Mas o ladino gato amolece o coração do rabino quando lhe anuncia que decidiu tornar-se judeu – e não vê a hora de fazer seu Bar Mitzvá (cerimônia judaica que marca a passagem do adolescente para a maioridade religiosa).
 
A formação religiosa do gato, levada adiante pelo rabino, dá oportunidade a vários conflitos doutrinários – não só com o superior do rabino, que não quer nem ouvir falar da conversão de um simples animal, como com o próprio gato. Ao ouvir as pregações, o felino põe em dúvida os dogmas, citando descobertas científicas, como o carbono 14, para pôr alguns deles em dúvida.
 
Inúmeras peripécias pontuam a movimentada história com a entrada em cena de outros personagens, como o primo do rabino, Malka (Jean-Pierre Kalfon); e particularmente um pintor russo (Sava Lolov), que chega de maneira um tanto inusitada e lidera uma expedição rumo à Etiópia, em busca de uma Jerusalém mítica na África. Entre os viajantes, vai um devoto muçulmano, amigo do rabino.
 
A acidentada viagem, a bordo de um Citroen 1925, tem um clima de Tintin, e inclui um encontro com radicais muçulmanos, liderados por um príncipe linha-dura (Mathieu Amalric). Passageiro privilegiado da aventura, o gato vai correr vários perigos.
 
O multiculturalismo que dá o tom da história teve contribuição da própria composição multiétnica dos desenhistas da obra, feita por um time integrado por europeus, norte-americanos e japoneses.
 
Em tempo – com seu humor ferino, algumas cenas de violência e sexo, O Gato do Rabino não é indicado para crianças pequenas.  A indicação etária é 12 anos.  

Neusa Barbosa


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