O Escorpião de Jade

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Extras

Apresentações especiais:
- Seleção de cenas
- Notas Sobre Elenco, Direção e Produção
- Entrevistas
- Trailer
- Formato de Tela: Fullscreen (4x3)


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Nesta comédia ambientada em 1940, Woody Allen prova, mais uma vez, que é capaz de extrair uma história sofisticadamente engraçada a partir da ironia em torno de suas mais caras obsessões. Neste caso, a hipnose, que tem implicações delirantes para um enredo que se desenrola numa empresa seguradora, a Northcoast Insurance, que tem entre seus melhores funcionários o detetive C. W. Briggs (Woody Allen).

Mesmo que, com seu físico frágil e careca proeminente, o detetive pareça uma pálida sombra do lendário Humphrey Bogart - o paradigma do detetive esperto e durão do cinema - Briggs especializou-se em montar esquemas de segurança invioláveis e desmontar tentativas de fraude, construindo para si uma sólida reputação profissional. Essa imagem não impressiona nem um pouco a durona Betty Ann Fitzgerald (Helen Hunt), secretária e amante do chefe da firma (Dan Aykroyd). Investida da missão de modernizar a empresa, Betty despreza os métodos toscos do detetive, bem como suas técnicas baratas de paquera, o que coloca a dupla em estado de guerra permanente.

Nessa troca de farpas verbais entre o detetive antiquado e a feminista pioneira estão algumas das pérolas dos diálogos impecáveis de Allen, demonstrando que sua perícia como roteirista permanece afiada, por mais que parte dos críticos julgue que ele está perdendo a pontaria. É verdade que em seus últimos trabalhos, como Poucas e Boas (99) e Trapaceiros (2000) o diretor tem tocado mais na chave da comédia rasgada do que nos dilemas mais profundos que pontuaram trabalhos como Crimes e Pecados (89) e mesmo Desconstruindo Harry (97). O Woody Allen atual parece mais interessado em simplesmente fazer o público rir.
Reclamar, quem há de?

Mesmo com essa simples pretensão cômica, um filme de Allen continua sendo um produto de ateliê, não o resultado de uma gigantesca linha de montagem como a que Hollywood coloca em movimento para tantas de suas megaproduções. Por isso, por mais que toda a trama pareça ligeira, pode-se apreciar a rara finesse dos detalhes, como a música (onde se destacam clássicos como Sophisticated Lady e Persian Market), a fotografia de Zhao Fei (chinês que trabalhou em Lanternas Vermelhas, de Zhang Yimou), os figurinos (de Suzanne McCabe), sem contar o sempre impecável desenho de produção de Santo Loquasto, habitual parceiro de Allen.

Voltando à hipnose, ela entra na história como recurso usado por um trapaceiro (David Ogden Stiers) para dominar as mentes tanto do detetive quanto da secretária, fazendo-os trabalharem para um esquema criminoso. Não deixa de ser também, dentro do enredo, uma eloqüente metáfora da cegueira parcial que toma conta dos seres dominados pela paixão - introduzindo aí um elemento romântico que Allen não costuma deixar de fora em suas melhores histórias.

Fora isso, a hipnose pode servir também para descrever o efeito que o bom cinema pode exercer sobre os sentidos, quando o público consente em se deixar levar. No caso, é uma boa sugestão.

Cineweb-19/7/2002

Neusa Barbosa


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