A vida de outra mulher

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Sinopse

No dia em que completa 25 anos, Marie encontra a chance de ter um bom emprego e o grande amor de sua vida. Porém, no dia em que faz 41 anos, acorda desmemoriada e esquecida do que aconteceu nos últimos 15 anos. Agora, enquanto tenta recobrar a memória, tenta reconquistar seu marido, de quem está se divorciando.


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Crítica Cineweb

14/08/2012

Atualmente, no cinema francês é difícil imaginar outra atriz melhor para fazer uma burguesa sofredora do que Juliette Binoche. Na pele de uma personagem desse tipo, ela pena como ninguém. Em seu novo trabalho, A vida de outra mulher, ela faz comédia do que seria um mar de lágrimas, ou seja, a amnésia.
 
A história de Marie (Juliette) se parece muito com alguns filmes de Hollywood – Como se fosse a primeira vez, Para sempre, Diário de uma paixão, para ficar nos mais recentes. Enfim, seu problema é perder a memória. O filme começa com a moça aos 25 anos, morando numa cidade pequena onde ajuda a mãe (Danièle Lebrun) a cuidar do pai, numa cadeira de rodas.
 
Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos como investidora em Paris e também conhece o grande amor de sua vida, Paul (Mathieu Kassovitz), filho do chefe. A vida dela poderá ser uma alegria, mas quando ela acorda no dia seguinte, está fazendo 41 anos. O que se passou nessa década e meia, a personagem descobre em meio a sustos: tem um filho, é uma profissional respeitada e está se divorciando. E não se lembra de ter vivido nada disso.
 
Dirigido pela atriz Sylvie Testud (Piaf – Um hino ao amor), o filme desconstrói cena a cena o passado de Marie. Tudo é uma surpresa – tanto para ela, quanto para o público. O pai morreu, a mãe se casou novamente e agora as duas estão numa disputa judicial e não se falam mais.
 
A Marie do presente fica perplexa ao saber que Michael Jackson morreu e se pergunta quem é Barack Obama. É nesses detalhes – além da interpretação de La Binoche – que reside a graça do longa: nos estranhamentos e quebras de expectativas. Ao contrário de Hollywood com o mesmo tema, a diretora opta por uma abordagem leve e romântica. Para a protagonista, se redescobrir é reconquistar o marido.
 
Há aquela velha crítica – por vezes superficial - da pessoa que vende seus sonhos ao sistema e, quando olha para trás, percebe que se tornou outra, alguém má, que pouco tem a ver com seus antigos planos para o futuro. Mas nada disso diminui a Binoche inspirada, que faz humor com leveza e graça.
 
Até que ela estava precisando de um personagem mais ligeiro. O último foi em 2007, com Eu, meu irmão e nossa namorada. Em filmes como Caché, Cópia Fiel, Aproximação, Código Desconhecido e Perdas e Danos, suas personagens vivem muita dor e sofrimento. É bom poder ver Binoche sorrindo e fazendo sorrir.

Alysson Oliveira


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