O Buraco

Ficha técnica

  • Nome: O Buraco
  • Nome Original: The Hole
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Inglaterra
  • Ano de produção: 2001
  • Gênero: Suspense
  • Duração: 102 min
  • Classificação: 16 anos
  • Direção:
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

25/02/2003

Variação do cardápio sanguinolento do terror teen, este suspense inglês trabalha na chave da sutileza. Ou seja, prefere explorar mais a psicologia dos personagens, ancorando-se no poder de sugestão de temores e paixões básicos, como a claustrofobia e as emoções essenciais da adolescência - paixão, medo da rejeição, inveja e ciúme, as principais delas -, ao invés da mortandade explícita.

O começo é promissor: uma jovem em farrapos, desgrenhada e visivelmente ferida (Thora Birch, de Beleza Americana) caminha no meio de um bosque. Movendo-se com dificuldade, chega a um prédio vazio e pega um telefone público. Quando segura o aparelho, não consegue falar. Emite apenas um longo grito de horror, primitivo, sugerindo a abertura das portas do inferno. Ou de alguém que acaba de escapar dele.

Outra boa providência do filme é revelar pouco a pouco o que se passou com esta moça, que se chama Liz, e estava desaparecida há algumas semanas, juntamente com três colegas de uma rica escola tradicional: Mike (Desmond Harrington), galã preferencial das meninas e filho de um astro de rock; Geoff (Laurence Fox), seu melhor amigo; Frankie (Keira Knightley), a loira mais invejada da escola. Quando o filme começa, não se sabe qual deles ainda está vivo, porque é certo que algum deles (ou mais de um) morreu tragicamente. Outro mistério é o envolvimento na trama de outro amigo de Liz, Martin (Daniel Brocklebank).

A trama envolve basicamente a permanência de Liz, Mike, Geoff e Frankie num buraco - um subterrâneo oculto no bosque próximo à escola, onde eles vão passar alguns dias escondidos, enquanto o resto dos colegas partirá numa excursão de estudos. O lugar foi descoberto por Martin, melhor amigo de Liz, e a proposta do programa alternativo é parte de um plano secreto deles dois para aproximar Liz do bonitão Mike, por quem ela nutre uma fixação tão intensa quanto sem esperança. Mas alguma coisa dá errado e o grupo fica trancado no buraco por mais tempo do que devia.

Quem se propõe a desvendar os acontecimentos, a partir de entrevistas com a traumatizada Liz, é uma psicóloga a serviço da polícia, Philippa Horwood (Embeth Davidtz). O olhar dela é o que compartilha o espectador, que não sabe a verdade nem tampouco se aquela testemunha de olhos azuis é mesmo anjo ou demônio.

Outro tema explorado nas entrelinhas é a noção de responsabilidade e de culpa - o fantasma que se insinua entre uma pulsão satisfeita sem freios e a racionalização do inadiável dia seguinte. Nessa linha, O Buraco se coloca ao lado de Cálculo Mortal, em que a policial vivida por Sandra Bullock tentava descobrir a verdade por trás de dois rostos angelicais e adolescentes. Mesmo que O Buraco seja bastante superior àquela produção hollywoodiana e seu final catastrófico, ainda não chega perto do requinte do hitchcockiano Festim Diabólico (1948), este sim um verdadeiro tratado sobre a criminalidade juvenil. Mesmo assim, o filme de Nick Hamm não faz feio. Baseado no livro After the Hole, de Guy Burts (que tinha 17 anos quando o escreveu, em 1993), garante entretenimento, ainda que sombrio.

Cineweb-27/9/2002

Neusa Barbosa


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