Prometheus

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Sinopse

Num futuro próximo, a equipe da nave Prometheus desembarca num planeta longínquo, onde espera encontrar a origem da vida humana na Terra. Porém, se deparam com criaturas estranhas e perigosas.


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Crítica Cineweb

13/06/2012

Se o cinema estiver certo, em 2093, os cientistas ainda não terão conseguido provar a existência do bóson de Higgs – uma partícula misteriosa, supostamente decisiva para a criação da vida. Notícias recentes dão conta de que os pesquisadores estão próximos de comprovar sua existência. Mas em Prometheus, novo no filme de Ridley Scott, os seres humanos terão de ir até outro planeta para descobrir a origem da vida na Terra.
 
É nessa ficção científica que, mais de três décadas depois, o diretor inglês volta ao universo de Alien – O Oitavo Passageiro (1979) e investiga a hipótese de não estarmos sozinhos no universo. Uma nave viaja até uma galáxia longínqua onde, espera-se, a tripulação irá encontrar aquilo que chamam de Os Engenheiros – ou seja, os seres que criaram a vida humana. A cientista Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, da versão sueca de Os homens que não amavam as mulheres) acredita firmemente nisto, baseada na repetição de pinturas rupestres em vários pontos da Terra – ainda que nem por isso ela deixe de acreditar em Deus e não se separe de seu crucifixo.
 
O que ela e sua equipe – que inclui, entre outros, seu marido também cientista, Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), uma figura maquiavélica organizadora da expedição, Vickers (Charlize Theron), e o androide David (Michael Fassbender, de Shame) – encontram é uma imensa e misteriosa caverna, aparentemente vazia, mas ocultando muitos perigos.
 
Durante toda sua primeira e melhor metade, o longa é uma meditação sobre a existência humana, sobre sua origem e futuro, se eram os deuses astronautas e outras questões que sempre intrigaram a humanidade.
Nessa primeira metade, Scott encontra o tom e ritmo certos, criando suspense e tensão, além de imagens poderosas que indicam um caminho que o filme, afinal, não vai percorrer. Poderia ser algo mais filosófico – ainda que não como A árvore da vida, de Terrence Malick – e, principalmente, poderia evitar sua transformação numa espécie de trash com pedigree, recorrendo a violência e muita gosma.
 
O roteiro, assinado por Jon Spaihts e Damon Lindelof (um dos roteiristas de Lost), não consegue conciliar bem a transição entre as duas partes do filme – o pré e o pós-contato com os seres. Os clichês do gênero vão se revelando aos poucos, o que resulta numa conclusão um tanto frustrante. Há bons momentos, especialmente quando há um subtexto político em Prometheus a respeito da construção e utilização de armas de destruição em massa, mas a correria gosmenta afinal predomina.
 
A cientista vivida por Noomi Rapace é uma espécie de herdeira da personagem de Sigourney Weaver na série Alien. Frágil e, ao mesmo tempo, determinada, a atriz traz à tona as nuances de dra. Shaw – especialmente seu paradoxo de cientista rigorosa que não abre mão da fé.
 
A pesquisadora encontra ressonância especialmente no androide David. Frio, sem sentimentos ou emoções, num primeiro momento, parece uma espécie de Pinóquio em busca de humanização. A entonação de sua voz remete ao computador super-inteligente de 2001 – Uma odisseia no espaço, mas é vendo “Lawrence da Arábia”, e se espelhando no protagonista interpretado por Peter O’Toole, que o robô adota um padrão de comportamento humano.
 
Nos seus momentos mais inspirados – Alien e Blade Runner – O caçador de androides–, Scott é capaz de criar uma estética inventiva a favor da narrativa, sem nunca deixar o visual predominar sobre a trama. Aqui não é diferente. As exibições em 3D e IMAX só reforçam o poder sugestivo e plástico das imagens – sem nunca se tornar uma distração, e sim um complemento para a experiência de assistir ao longa.
 
Ao contrário de muitas ficções científicas, Prometheus não escancara o seu teor de parábola, não fala da ciência desmedida ou de cientistas malucos e sem limites. Nesse sentido, o filme de Scott é mais sutil, escorrega na sua própria gosma, mas ainda assim, se reencontra em meio a divagações metafísicas.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 15/06/2012 - 12h46 - Por Juan Alloza não precisa ser cientista e entender de tudo, mas falar que o bóson de Higgs tem relação com a origem da vida é dureza.... melhor não tentar passar de inteligente, já que a gente (que entende um pouco) fica com essa questão (a ignorância do comentário) na cabeça ao longo do texto inteiro: quase compromete a análise do filme, que aliás parece meio incompleta: escreveu muito sobre a primeira parte e parece que "passou por cima" da segunda...
  • 15/06/2012 - 15h26 - Por Neusa Barbosa Oi Juan:
    que tal compartilhar conosco o que vc sabe a mais sobre o bóson de Higgs?

    Agradecemos contribuições.

    Depois, não dá para fazer "análise completa" de nenhum filme. Todos os comentários, quaisquer que sejam, sempre escolhem alguns momentos, né?

    Ninguém aqui quer esgotar nenhum assunto, até porque não dá.

    abs

    Neusa Barbosa
  • 19/06/2012 - 17h42 - Por abel exageros a parte o novo filme so ridley scott é um dos seus melhores trabalhos dos últimos tempo , a ficção cientifica tinha ficado bem para trás no tempo, àlguem que fez alien e blade runner tinha entrando na montanha russa e fez filmes dispensáveis como perigo na noite, tormenta, cruzada, vigaristas, bom ano e outros de muita qualidade até mesmo incompreendidos a lenda, thelma e louise, gladiador. o filme é bem estruturado não é um novo blade runner ou chega aos pés de um 2001 mas é bem interessante, me lembro agora de uma ficção cientifica bem filosófica chamada solaris a versão original do russo.
  • 20/06/2012 - 10h14 - Por Neusa Barbosa Oi Abel:
    eu até que acho "Prometheus" envolvente em boa parte do filme - acho que as sequências finais entram muito para um "gore" excessivo...
    Adoro Blade Runner, Alien (especialmente o primeiro)e Thelma e Louise.
    "2001" era bem outra coisa, não dá pra comparar."Solaris", que eu também gosto muito,idem. Estes dois diretores procuravam outras coisas.
    bj
    Neusa
  • 27/06/2012 - 16h44 - Por Vitor Acho que o andamento do filme é perfeito.

    A paleta escura e cinza, o clima que aos poucos vai ganhando intensidade. Não é o melhor do Ridley Scott. Mas é o melhor nesse tema nos últimos tempos.

    4 estrelas pra mim...
  • 09/07/2012 - 12h52 - Por Alex Magalhães Vou fornecer um feedback para você, Neusa, e espero que entenda: é uma desegradável ficar respondendo aos que não concordam com a sua análise. Certo ou errado, na maioria das vezes, as pessoas tem o direito de se colocar. Se for para haver tréplicas, melhor não abrir o espaço.
    Cordialmente,
    Alexandre Magalhães
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