Totalmente Inocentes

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Sinopse

“Totalmente Inocentes”, de Rodrigo Bittencourt, satiriza o universo dos filmes sobre favela. Na comédia, Do Morro (Fábio Porchat) e o travesti Diaba Loira (Kiko Mascarenhas) disputam o poder na comunidade DDC. Alheio a isso, Da Fé (Lucas D' Jesus) quer se tornar o chefe do morro para conquistar o amor de Gildinha (Mariana Rios), sua musa. Fábio Assunção interpreta um repórter de uma revista de fofocas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/06/2012

Existe uma diferença bastante clara e acentuada entre a paródia e o pastiche. O segundo é a primeira desprovida de significado, crítica ou mesmo razão de ser. Se existe alguma dúvida sobre essa definição, basta assistir ao longa nacional Totalmente inocentes – claramente um pastiche do sub-gênero chamado filmes-favela (ou ‘favela movie’, para os gringos), que encontrou espaço no cinema brasileiro nos últimos anos com mais força.
 
Dirigido por Rodrigo Bittencourt, que em 2010 apresentou no Festival de Paulínia o curta Who’s gonna fuck my wife?, o longa se propõe a ser uma sátira de tudo que se viu no gênero – de Cidade de Deus a Tropa de Elite, passando por Cidade dos homens e qualquer outro que se encaixe nos padrões. Logo numa das primeiras cenas, vemos o quarto do protagonista, Da Fé (Lucas D'Jesus) – na parede, um pôster de Cidade de Deus dá o tom. Na verdade, não é apenas isso, a câmera precisa focalizar algumas vezes o cartaz para deixar claro em que universo estamos pisando – como se isso já não estivesse explícito.
 
Totalmente inocentes – talvez o titulo não se refira bem aos personagens, mas à ingenuidade das pessoas que fizeram o filme – segue o apaixonado Da Fé que tenta conquistar o coração de Gildinha (Mariana Rios), vizinha alguns anos mais velha, e irmã de seu melhor amigo, Bracinho (Gerson Silva). Na favela onde moram, há uma nova pessoa no poder: trata-se de Do Morro (Fábio Porchat) - branquelo que derruba a travesti Diaba Loira (Kiko Mascarenhas) armando uma emboscada para ela e seu grupo irem presos.
 
Nessa mesma época, o atrapalhado jornalista (ô clichê surrado) Wanderley (Fábio Assunção) é intimado por sua chefe (Ingrid Guimarães) a conseguir uma entrevista com Do Morro. Graças a uma daquelas coincidências que só surgem graças à falta de criatividade de roteiristas, Gildinha, que cursa jornalismo, procura um estágio nessa mesma revista. Há, enfim, um fiapo de história mal contada que amarra os núcleos.
 
Porém, Totalmente inocente é frágil exatamente no elemento em que não o deveria ser: na comédia. O filme não tem a coragem de ir até o fim e ser algo realmente politicamente incorreto. Fica em cima do muro, querendo fazer gracinha, mas também paternalizar – é como se dissesse: olha como somos legais, estamos olhando para o pessoal da favela. Dessa forma, apenas reafirma a velha questão que tanto foi debatida com Cidade de Deus (e tantos outros). A classe média, mais uma vez, olha de cima para baixo, reafirma seus clichês e preconceitos – dessa vez, porém, sob o manto da comédia, como se essa legitimasse qualquer tipo de coisa, em ‘nome do bom humor’. Se ao menos houvesse diversão aqui, seria algum ganho. Mas da forma como o Totalmente inocentes é, o que sobra é apenas o pastiche, tão inócuo quanto desnecessário.

Alysson Oliveira


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