Flores do oriente

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Sinopse

Na cidade de Nanquin, na China, tomada por soldados japoneses, um grupo de estudantes católicas se refugia numa igreja. Mais tarde, chegam algumas prostitutas que pedem abrigo. Caberá a um agente funerário norte-americano conciliar os desejos delas e ajudá-las a fugir dos inimigos.


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Crítica Cineweb

23/05/2012

Flores do oriente, de Zhang Yimou, é um filme chinês, mas poderia muito bem ser um western, mudando um detalhe aqui e outro ali. O maior deles, é claro, seria o local da ação – mas aí deixaria de fora o elemento que traz força ao longa: ser baseado num episódio controverso de 1937, conhecido como o Massacre de Nanquin, no qual estima-se a morte de mais de 200 mil chineses pelo exercito japonês, além do estupro de 20 mil mulheres. 
 
Tal episódio está no centro do drama redentor de Yimou, que tem como protagonista um agente funerário norte-americano que está na China naquele momento e encontra refúgio numa igreja que também abriga suas estudantes católicas e, mais tarde, um grupo de prostitutas.
 
Christian Bale (o atual Batman) é John Miller um sujeito que chega à igreja para enterrar o padre morto, e acaba assumindo o seu lugar para se proteger. Beberrão e folgado, aos poucos, ele vai sendo transformado por aquelas adolescentes que esperam ajuda para fugir da cidade.
 
A chega de um grupo de prostitutas, liderado por Yu Mo (Ni Ni), desestabiliza o ambiente gerando a disputa de espaço entre as adolescentes e as novas refugiadas que se escondem no porão. Num primeiro momento, o filme retrata estas como vilãs. Quando japoneses invadem a igreja, matando e estuprando as estudantes, as outras mulheres nada fazem – mas se sentirão culpadas mais tarde.
 
Miller se conscientiza do seu papel naquele ambiente, pois, ao lado de um menino que era ajudante do padre, é a única figura masculina naquele ambiente. Além de promover a paz interna, ele é o único que capaz de negociar com soldados japoneses e tentar poupar a vida dessas mulheres.
 
Baseado num romance de Geling Yan, o filme, às vezes, se estende em sua mensagem de culpa e redenção. Suas 2h30 soam redundantes, o que se agrava com os exageros estéticos de Yimou. Conhecido por seu preciosismo visual, o diretor de “Lanternas vermelhas” busca o que há de belo no grotesco, nos horrores da guerra. Ao estetizar as atrocidades, ele cria um efeito controvertido no público – ao mesmo tempo em que seduz pela beleza, repudia pela moral.
 
Se, por um lado, Bale está burocrático num personagem protocolarmente clichê, por outro, Ni, com seu carisma, rouba a cena, apesar de sua personagem igualmente baseada em lugares comuns: a meretriz de bom coração. Outras prostitutas conseguem se destacar num momento ou outro com seus dramas pessoais, ao contrário das estudantes católicas que se tornam uma massa praticamente sem identidade individual.
 
O forasteiro com a identidade falsa, as prostitutas, as donzelas e os inimigos são personagens típicos de faroestes. Aqui, deslocados no oriente, eles formam um grupo estranho – ao mesmo tempo, familiar. São clichês de gênero que, mesmo relocados, não deixam de ser óbvios, e Yimou, que não se preocupa com os personagens, parece não se dar ao trabalho de tentar mudar isso.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 29/05/2012 - 18h35 - Por Ricardo Cunha Devo confessar que não gosto de críticas que mais contam o filme do que analisam o decorrer d obra. Após esta crítica assistrir a pelicula já perde um pouco a graça, porem eu vi o filme antes e devo discordar bastante do Alysson e estimular o leitor a ver o filme e tirar suas próprias conclusões, para pessoas perspicases o tempo é curto e as mensagens da obra embora sem profundidades filosóficas são do bem o que torna o tempo decorrido em diversão, embora com a dura realidade local. Assistam tenho certeza que vai valer a pena.
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