O Auto da Compadecida

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Crítica Cineweb

13/01/2003

O diretor Guel Arraes, com uma carreira brilhante na televisão brasileira, transformou em filme a microssérie O Auto da Compadecida. Embora tenha sido filmada em 35 milímetros, a intenção inicial era apenas a adaptação da premiada peça teatral de Ariano Suassuna para a TV. Mas Arraes confessa que, durante a filmagem, já começou a perceber os cortes que poderiam resultar no filme e rodou alguns planos alternativos já pensando numa versão cinematográfica. A estréia em cinema do diretor não poderia ser melhor. Mas a sua reconhecida competência e a excelência do texto de Suassuna não sobreviveriam sem o ótimo elenco contratado.

Matheus Nachtergaele faz uma caracterização primorosa do personagem principal, João Grilo: usou prótese nos dentes, roupas esfarrapadas e imundas, deu-lhe um olhar ligeiramente estrábico e um andar entre o malemolente e o desajeitado. Shelton Mello, em sua primeira comédia, faz de Chicó um sujeito criativo, mas com um toque de aparvalhado, que mesmo galã depende do amigo para conquistar a namorada. A dupla central da trama é acompanhada por excelentes atores como Lima Duarte (o Bispo), Paulo Goulart (o major Morais), Rogério Cardoso (o padre), Luís Melo (o diabo), Fernanda Montenegro (Nossa Senhora) e Marco Nanini, numa interpretação impagável na pele do cangaceiro Severino. No roteiro de Adriana Falcão, João Falcão e do próprio Arraes, algumas personagens de outras histórias de Suassuna foram incluídas, sem qualquer prejuízo da narrativa. Aliás, o acréscimo de personagens como Rosinha (Virgínia Cavendish), que, apaixonada por Chicó, é disputada pelo valentão do vilarejo Vicentão (Bruno Garcia) e o cabo Setenta (Aramis Trindade), tornou esta farsa ainda mais saborosa.

Com o sertão da Paraíba como cenário, o sabido João Grilo enfrenta a luta pela sobrevivência junto ao seu enrolado companheiro de estrada, Chicó. A trama começa com os dois amigos procurando um novo emprego. Conseguem trabalho com o avarento padeiro (Diogo Vilela) e a sua namoradeira mulher, Dora (Denise Fraga). Muito explorados pelo patrão, os dois vêem uma chance de ganhar alguns trocados a mais quando a cadela da mulher morre. A partir daí todas as confusões acontecem. Para conseguir o seu intento, João Grilo usa a astúcia do verdadeiro sobrevivente, envolvendo uma dezena de pessoas nas suas fantásticas histórias. As peripécias deste herói parecem acabar quando é morto pelo capataz do cangaceiro Severino, interpretado por Enrique Diaz. Mas a sua esperteza não tem limites, nem mesmo Jesus Cristo (Maurício Gonçalves), escapa das tramóias engendradas pelo matreiro nordestino.

O corte de uma hora, na edição que foi ao ar pela televisão, tirou alguns personagens e enxugou histórias paralelas, mas manteve a espinha dorsal do original. O que prova que o casamento entre a televisão e o cinema é uma parceria com futuro.

Fotos: Nelson Di Rago/Globo Filmes

Ana Vidotti


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Comentários:
  • 01/08/2010 - 12h52 - Por BRUNA RAFAELA SILVA LOPES OI EU GOSTARIA DAS FOTOS DE DEUS DO FILME O ALTO DA COMPADECIDA POR FAVOR.
  • 03/07/2013 - 15h25 - Por Naathy Afs que filmee maais seem gracinhaa pra taar falandoo quee ée de coméediaaa!!!
  • 16/09/2013 - 13h27 - Por cala a boca por favor façam mais criticas
  • 16/09/2013 - 13h41 - Por cala boca vcs devem colocar mais criticas desse filme de palhaço.
  • 16/09/2013 - 14h08 - Por natanael todos os comentarios estao show vlw
  • 09/06/2015 - 14h24 - Por Rafael Calumby do Nascimento É umas obra prima ao estilo brasileiro. Diverte enquanto retrata a crueza da vida no nosso AMADO NORDESTE. Aplausos à produção.
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