Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

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País


Sinopse

Numa cidade do Pará, Lavínia, mulher do pastor Ernani, envolve-se numa paixão com o fotógrafo Cauby. Dramas do passado da mulher, além de uma situação social explosiva, conduzem os personagens a uma tragédia.


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Crítica Cineweb

18/04/2012

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios completa uma espécie de mapa, um território físico e emocional do Brasil que se constroi na filmografia dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca, do escritor e roteirista Marçal Aquino e da produtora Branca Villar – uma das mais consistentes parcerias do cinema brasileiro recente.
 
O ponto de partida é, mais uma vez, um livro de Aquino – como em cinco dos sete filmes do quarteto paulista, a partir de Os matadores (1997). É a quarta história de amor em seguida, depois de Crime Delicado (2005), Cão sem Dono (2007) e O Amor segundo B. Schianberg (2010), deslocando-se desta vez ao Pará, que se soma ao Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul visitados em outros filmes.
 
A melhor novidade desta história é abrigar a personagem feminina mais forte do cinema e da literatura dos amigos Brant, Ciasca e Aquino: Lavínia, interpretada com toda visceralidade por Camila Pitanga, que trabalha pela primeira vez com os diretores e recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio em 2011. O filme também foi premiado em Huelva, Espanha, e na Mostra Internacional de São Paulo.
 
 Moradora de uma cidade do Pará, Lavínia ajuda o marido, o pastor Ernani (ZeCarlos Machado), em sua missão junto aos moradores locais. Ao mesmo tempo, envolve-se numa forte paixão com o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado), um forasteiro radicado ali há muito tempo.
 
As produções da trupe paulista são fruto de intensas colaborações coletivas e isso transpira em cada cena deste vibrante novo filme, cujo foco dramático está na divisão de Lavínia entre suas duas realidades, levando adiante sua contradição feroz, sua beleza intensa e uma dor maior do que a vida, marca de um passado muito complicado.
Inseridos no contexto candente da luta pela terra e o desmatamento da Amazônia – com direito a várias inserções documentais, marca registradas destes diretores -, os personagens são filmados em longos planos-sequência, que permitem a cada ator revelar a verdade de seu papel com a força que a história procura, muito fiel à atmosfera do romance original.
 
Não só a realidade social explosiva como também a luz e as cores da Amazônia entram em cheio no filme, através da fotografia de Lula Araújo – um grande conhecedor da região, engajado em diversos projetos para a TV de Washington Novaes (como Xingu – A Terra Ameaçada) e também fotógrafo do belo Tamboro, de Sérgio Bernardes, ainda inédito no circuito comercial, e que foi o mote de sua aproximação com os diretores.  
 
A riqueza visual é enriquecida pela direção de arte de Akira Goto (habitual parceiro do diretor José Eduardo Belmonte), responsável, por exemplo, por um dos cenários principais, a casa em que se desenrola a paixão entre Lavínia e Cauby, repleta de pinturas do próprio Goto e fotografias realizadas por Gustavo Machado – que realizou um treinamento específico anteriormente às filmagens com o fotógrafo Cisco Vasques.
 
A percussionista Simone Sou assina a trilha sonora, ao lado de Alfredo Bello, e também faz uma participação como a intrigante xamã que aparece numa ponta.
 
Essa pegada de vida real se introduzindo na história, além de sua atmosfera colaborativa, são a mais clara assinatura deste filme – que constitui um exemplar raro da tentativa de um cinema adulto, de sentimentos e enraizado no Brasil contemporâneo, ao lado de Xingu, de Cao Hamburger.
 
No elenco, participam ainda Gero Camilo – como o jornalista Vitor Laurence, que tem um papel crucial na trama -, o ator paraense Adriano Barroso, como o policial Polozzi; Chico Chagas, como um ex-matador; e Antonio Pitanga, pai de Camila, numa ponta como um outro pastor.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 20/04/2012 - 19h51 - Por Ademar de Queiroz Neusa, vi "Eu receberia as piores notícias..." durante a Mostra SP. O filme é arrebatador (para dizer pouco). A intensidade da história do triângulo amoroso somada à entrega dos atores e ao clima documental sobre o desmatamento me envolveu e me emocionau de tal maneira que foi difícil chegar inteiro ao final do longa. Pra mim, já é um dos melhores de 2012. Abração.PCZ
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