Um método perigoso

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Sinopse

Admirador do trabalho do pioneiro Sigmund Freud, o psicanalista suíço Carl Jung vai conhecer seu mestre em Viena. Os dois desenvolvem uma intensa relação profissional e correspondência. Aos poucos, diferenças de opinião começam a separá-los.


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Crítica Cineweb

27/03/2012

Ao acompanhar a filmografia do diretor canadense David Cronenberg, pode-se ter a impressão de estar seguindo as pegadas de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung. As pesquisas dos dois pioneiros da psicanálise certamente serviriam para tentar decifrar os complexos personagens que habitam filmes como Gêmeos – mórbida semelhança (1988), “Crash- Estranhos Prazeres” (1996) e Spider – Desafie sua mente (2002).
 
Em Um Método Perigoso, que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza 2011, Cronenberg voltou-se para os próprios Freud e Jung. Partindo da peça The Talking Cure, de Christopher Hampton – também corroteirista -, realizou uma densa ficção que focaliza o encontro entre o pai da psicanálise e um de seus mais criativos discípulos, antes que diferenças inconciliáveis os separassem.
 
A narrativa começa com Carl Jung (Michael Fassbender) atuando numa clínica psiquiátrica em Zurique e encarregando-se do caso de uma jovem paciente histérica, Sabina Spielrein (Keira Knightley). É um caso complicado e que requer enorme esforço do médico, descobrindo por trás do caso da moça evidências de uma história familiar complicada, que acarretou um comportamento autodestrutivo.
 
Trabalhando pela terceira vez com o diretor, o ator norte-americano Viggo Mortensen encarna Freud, o pioneiro da psicanálise que, em Viena, influenciou diversos profissionais, inclusive Jung. O jovem médico suíço encontra-se com seu mentor, quarenta anos mais velho, e inicia-se uma ativa troca de correspondência e experiências.
Aos poucos, afirmam-se as diferenças entre os dois – não só de idade, classe social, religião (Freud era judeu, Jung, protestante) e personalidade. E, partir de um certo momento, divergem especialmente em sua postura profissional diante de aspectos cruciais na determinação da psique humana – como a sexualidade.
 
A sexualidade, não na teoria, e sim na prática, cria uma das muitas discordâncias entre Jung e Freud, a partir do momento em que o primeiro, casado e com filhos, envolve-se com sua ex-paciente, Sabina, que se tornou psicanalista também. E, na vida íntima, mais do que atenuar algumas perversões de Sabina, passa a participar delas também.
 
Um grande mérito do filme está em não sucumbir ao peso habitual das produções de época – que Cronenberg frequenta pela quarta vez -, permitindo que seus personagens se movimentem e reajam de forma natural em seus ambientes.
 
O diretor também enfrenta a contento o desafio de humanizar dois mitos do nível de Freud e Jung, tornando palpáveis tanto suas contradições quanto seus sentimentos.
 
Da mesma forma, tornam-se claros alguns dos principais conflitos entre o pensamento dos dois, desde o papel supremo defendido por Freud para a sexualidade como determinante do comportamento humano – que Jung contrapõe com uma procura também do transcendente, que o levará ao conceito do inconsciente coletivo.
 
Uma outra leitura indica ainda o quanto Um método perigoso sinaliza um preciso retrato de época. Numa Europa sacudida por vanguardas artísticas e que se acreditava muito civilizada quando, na realidade, caminhava para o massacre da I Guerra Mundial, torna-se difícil subtrair a Freud o acerto na opinião de que nem tudo a racionalidade poderia resolver dentro da civilização.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 01/04/2012 - 12h33 - Por abel achei o filme muito convencional para um cronenberg, bem feito mais uma vez michael fassbender rouba o filme mas faltou aquele algo mais que o diretor sempre conseguiu fazer em seus filmes, misturar delirios com a realidade, mas não decepciona.
    p.s: neusa vc viu michael fassbender nessa nova versão de jane erye.
  • 01/04/2012 - 19h42 - Por Neusa Barbosa oi Abel:
    Não senti isso não. Achei o filme bem forte, mesmo que diferente de outros do Cronenberg, muito acima de uma mera biografia dos dois;

    Admiro demais o trabalho do Michael Fassbender, mas ainda não o vi em "Jane Eyre".

    abs
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