A toda prova

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Mallory Kane é uma agente especializada em missões secretas e difíceis. Convencida pelo chefe a tirar uma folga e sair de circulação, ela é atacada - e descobre que está no centro de uma grande armadilha.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/04/2012

Há alguns diálogos bastante reveladores em A toda prova, novo trabalho de Steven Soderbergh. Como na série iniciada com Onze homens e um segredo (2001), o diretor e seu elenco parecem divertir-se mais do que o público. Num deles, um personagem diz mais ou menos isso: “Quero que isso seja visto estritamente como profissional”. “O motivo é dinheiro. Sempre é dinheiro”, responde outro. Fica muito fácil associar a fala à carreira recente de Soderbergh.
 
Era uma vez um jovem cineasta com pouco mais de 20 anos, algumas ideias sobre cinema independente e uma Palma de Ouro debaixo do braço por sexo, mentiras e videotape (1986). Desde então, ao longo de quase três décadas, ele transitou entre o cinemão altamente comercial e a tribo independente que fez a alegria do circuito de festivais  – com filmes como Irresistível paixão, O Estranho, Traffic e Erin Brokovich – Uma mulher de talento, com o qual ele soube combinar as duas vertentes.
 
Desde então, Soderbergh parece não ter mais se encontrado . Fez algumas coisas divertidas (Onze homens..., mas não suas sequências), calculadamente ousadas (Solaris e dois filmes sobre Che Guevara, Che e Che 2 – A Guerrilha) , um filme bem bom (Confissões de uma garota de programa) e várias obras dispensáveis (O desinformante!, Full frontal, Contágio). Essa última lista cresce com “A toda prova”, filme-pancadaria sobre um nada de história e uma protagonista boa de briga e ruim de atuação.
 
A moça em questão é a lutadora de MMA Gina Carano, que vive Mallory Kane, uma espécie de mercenária que está precisando de férias, mas acaba se envolvendo numa missão internacional. Ao menos, é disso que parte a trama assinada por Lem Dobbs (A cartada final). O que vem entre esse começo e o diálogo final – na verdade só uma palavra que muito bem resume o filme – é uma sucessão de socos e sopapos, protagonizados por Gina e alguns homens que têm a infelicidade de cruzar o seu caminho, entre eles Ewan McGregor (O escritor fantasma), Channing Tatum (GI Joe – A origem de Cobra) e o galã do momento, Michael Fassbender (Shame).
 
O que A toda prova quer ser é um mistério. Parte comédia, parte filme de espionagem, parte filme de pancadaria, o longa se perde na falta de coesão ao transitar entre os gêneros sem se resolver. Pouco ajuda a falta de destreza da lutadora na frente das câmeras quando o objetivo da cena não é bater.  Mallory, mais tarde, descobre que não pode confiar em ninguém – uma espécie de clichê do gênero de espionagem – e se transforma num exército de uma mulher só, uma máquina de destruição – não chega a ser um Schwarzenegger, está mais para um Bruce Lee ou um Jackie Chan.  Sua presença no filme, como a da atriz pornô Sasha Grey em Confissões de uma garota de programa, é um elemento paradoxal no filme. Dá segurança e estranhamento
 
Soderbergh sempre foi um diretor conhecido por sua precisão técnica e por conseguir atrair uma série de atores famosos – aqui estão também Antonio Banderas e Michael Douglas. Mas esses detalhes não bastam para transformar A toda prova em um filme acima do banal. Enquanto os personagens trocam pancadas e se divertem – ou nem tanto –, do lado de cá da tela impera o tédio.

Alysson Oliveira


Trailer


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