O pacto

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Sinopse

Will Gerard é um professor esforçado, casado com uma musicista. Um dia, ela sofre uma terrível violência e fica traumatizada. Um homem misterioso aparece, oferecendo-se para vingá-los. Mas, em troca, o professor deverá um dia fazer-lhe um favor.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/03/2012

Ultimamente, a escalação de Nicolas Cage para um papel já diz tudo sobre um projeto, antes mesmo de o filme começar a ser exibido: é uma fita de ação; o protagonista (Cage) é um personagem simplório, vítima de algum grande esquema nebuloso ou criminoso; a história é totalmente previsível; os diálogos são banais e, no final, tudo dará certo. Os produtores não querem o Nicolas Cage que ganhou um Oscar em 2006 por Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis; eles suplicam o canastrão que, apenas em 2011, se desdobrou em cinco filmes que, somados, ganharam da crítica menos estrelas que uma noite de céu nublado – Caça às bruxas, Fúria sobre rodas, Reféns, Motoqueiro Fantasma: espírito de vingança e agora O pacto.

 Em O pacto, o professor Will Gerard tem um pouco de cada personagem dos filmes anteriores de Cage, exceto a autocombustão do Motoqueiro Fantasma. Ou, talvez, todos
esses filmes tenham se aproveitado de aspectos da personalidade do ator, tão fáceis
de identificar em seus trabalhos atuais e, por isso mesmo, de boa aceitação do público.
Por pior que seja seu papel, não há como não simpatizar com o pobre coitado que ele
sempre representa.
 
Dá pena acompanhar o professor Will Gerard no seu dia-a-dia, esforçando-se para
falar de Shakespeare para uma turma de alunos que está mais preocupada em pixar
os corredores da escola e falar ao celular durante as aulas. Ele também os leva para
concertos de música clássica, pagando os ingressos do próprio bolso. Mas a música lhe
proporcionou um prazer adicional, pois sua mulher, Laura (January Jones), toca numa
orquestra.
 
E será na saída de uma apresentação que acontecerá uma tragédia que jogará a vida do
casal num abismo. Ao entrar no carro, estacionado – naturalmente – numa rua escura
de Nova Orleans, Laura é atacada e violentada. Socorrida, com muitos ferimentos, fica
irremediavelmente abalada e insegura. Na sala de espera do hospital, Will é abordado
por Simon (Guy Pearce, que também não é mais o mesmo desde Amnésia, de 2000)
que lhe propõe um pacto: ele encomendará a morte do criminoso e, em troca, Will
executará algum serviço para sua organização quando for necessário.
 
A idéia não é original. Em Pacto Sinistro (1951), Alfred Hitchcock colocou dois estranhos em um trem com uma proposta parecida, na adaptação de um romance de Patricia Highsmith, com roteiro do escritor Raymond Chandler. Mas, 60 anos depois, o filme de Hitchcock ainda mantém o clima de pesadelo de que o trabalho do diretor Roger Donaldson não consegue se aproximar.
 
Ao contrário do filme de Hitchcock, quem propõe o pacto não é um psicopata, mas o líder de uma organização criminosa, com muitas ramificações na cidade, que se aproveita de personagens fragilizados por uma tragédia familiar para convencê-los a praticar um ato de vingança. Will demora a se decidir, mas acaba concordando. Só que sua aceitação acabará desencadeando uma espiral de violência que não se limitará à morte do agressor de sua mulher. Personagens inocentes acabarão envolvidos, deixando Will numa situação insustentável.
 
E aquele pacato professor de literatura dirigirá carros em alta velocidade, fugirá da polícia, manejará armas de fogo, promoverá investigações paralelas com uma desenvoltura de que apenas Nicolas Cage é capaz. E, como ele sempre faz isso em seus filmes, acreditamos que conseguirá novamente.

Luiz Vita


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