Drive

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Dublê de cenas de corrida em filmes de ação e mecânico, trabalha como piloto de fuga para assaltantes. Quando ele conhece sua nova vizinha, Irene, acaba travando amizade com a moça e o filho pequeno dela. Quando o marido dela sai da prisão, novas complicações surgem na vida deles.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/03/2012

O protagonista de Drive, conhecido no filme apenas como Driver (motorista), é um homem de poucas palavras, que expressa no rosto neutro de seu intérprete (Ryan Gosling, de Tudo pelo poder) sua incredulidade diante do mundo, das pessoas. Ele trabalha como dublê de filmes de ação nas cenas que envolvem carros e também como mecânico – e engorda o orçamento como piloto de fuga de assaltantes. Talvez seja o contrário, ele seja realmente piloto de fuga e ser dublê e mecânico, apenas bicos. Manter essa ambiguidade é um dos pontos fortes do enredo.
 
A ausência de nome para o personagem indica – é um filme sobre determinismo. O protagonista é o que e quem é por conta do trabalho que realiza – e não o contrário. O diretor Nicolas Winding Refn e o roteirista Hossein Amini parecem insinuar que ele foi escolhido por esses trabalhos, e não o contrário.
 
Alguns diálogos dão conta de fatos importantes de seu passado, mas este não precisa ser explicitado. Drive é um filme sobre o presente, sobre o aqui e o agora do personagem e, exatamente por isso, não busca justificativas ou explicações para ele, o que injeta uma forte carga existencial no personagem. Sua solidão é idêntica à de alguns ícones do passado – quem vem à mente com força é Alain Delon em Le Samurai, ou um cavaleiro solitário de western, especialmente o protagonista de Shane – Os brutos também amam, Alan Ladd.
 
A ligação dele com sua vizinha, Irene (Carey Mulligan, Não me abandone jamais) e o pequeno filho dela são o sinal de que falta algo na vida de Driver. Uma família? Talvez nem tanto, seria mais exatamente essa necessidade de se conectar com pessoas de verdade, não apenas aos ladrões que ele conduz na fuga, ou diretores e agentes de cinema com quem trabalha. O vazio de sua vida está em cima das quatro rodas de seu carro. Mas Irene espera o marido (Oscar Isaac), que está preso. Isso, claro, irá atrapalhar os planos e futuro do protagonista – mas não da forma mais óbvia que se poderia imaginar.
 
A personagem feminina, Irene, é o contraponto, é a delicadeza e o sopro de ar fresco que faltam à vida do protagonista. Há também uma femme fatale (Christina Hendricks, da série Mad Men), envolvida num assalto que dá errado e que deixa atrás de si um rastro de sangue.
Nascido na Dinamarca e criado em Nova York, o diretor Winding Refn fez um filme de gênero que, ao mesmo tempo, joga com as suas regras e as subverte. Na sua filmografia (que inclui a trilogia Pusher), ele investiga a violência e como o machismo encara e lida com isso – especialmente quando é preciso esconder as fragilidades e inseguranças num mundo-cão. Suas histórias são protagonizadas por homens sem lei que precisam existir num mundo maior do que eles. A subversão dos valores torna-se a única forma de sobrevivência. O filme rendeu ao dinamarquês o prêmio de direção no Festival de Cannes, em maio de 2011.
 
O roteiro de Amini (Asas do amor) eleva o romance pulp de James Sallis a um outro nível, tomando-lhe o personagem e alguns pontos da trama e criando uma história nova, com um andamento e profundidade inexistentes no original. A fotografia de Newton Thomas Sigel (Operação Valkíria) realça o neon de uma Los Angeles noturna que remete à década de 80 e vai diretamente ao encontro da proposta estética e narrativa do filme. A trilha sonora de Cliff Martinez contribui para o clima de sonho – ou pesadelo, conforme o ângulo pelo qual se olha.
 
As performances de Gosling e Carrey trazem à tona o que há de mais humano em seus personagens, que poderiam facilmente cair em estereótipos. Mas, pela percepção dos dois atores – que expõem as fragilidades de cada um –, vemos que Driver e Irene são pessoas desiludidas que encontram força uma na outra. A inocência dela é o que o move em sua jornada para protegê-la.
 
O diretor suíço Jean-Luc Godard disse, certa vez, que as únicas coisas necessárias para se fazer um filme são uma garota e uma arma. Winding Refn troca o segundo elemento por um carro – sem qualquer perda. Existem até armas, mas elas são bem coadjuvantes. Independente delas, quando Driver está à frente do volante de seu carro, ele é imbatível.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 05/03/2012 - 18h02 - Por abel maravilhoso ryan gosling já é um dos maiores atores de sua geração, não consegui piscar o olho um minuto, precisamos de cineastas originais assim em hollywood, para acabar com o marasmo da mesmice.
  • 06/03/2012 - 18h11 - Por Claudius Eu ja achei um filme horrível, lento, sem graça... E se por um acaso tivessem colocado um ator surdo/mudo no lugar do Ryan não iria fazer a menor diferença!
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