O porto

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Locais de filmagem


Sinopse

Marcel Marx é um velho engraxate que trabalha na cidade portuária de Le Havre. Leva vida modesta e sem sustos, com sua mulher e uma cachorrinha. Um dia, imigrantes ilegais africanos chegam por ali. Um menino se perde da família e pede ajuda a Marcel.


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Crítica Cineweb

29/02/2012

Segundo filme falado em francês do premiado diretor finlandês Aki Kaurismaki, O Porto é uma espécie de manual de seu estilo econômico e sutil – bem como uma esperta coleção de homenagens e detalhes para elaborar uma fábula humanista sobre a imigração ilegal.
 
Também filmado na França, O Porto ambienta-se na localidade portuária de Le Havre, zona de desembarque de imigrantes e circulação de mercadorias. É o habitat do escritor frustrado e esforçado engraxate Marcel Marx (André Wilms). Apesar de entrado na meia-idade, com sua escova e graxa ele consegue seu sustento e o de sua mulher, Arletty (a atriz habitual dos filmes de Kaurismaki, Kati Outinen).
 
Todas as noites, Marcel volta para sua pequena casa, numa vizinhança modesta e solidária, onde tem amigos nos comerciantes locais, o quitandeiro, a padeira e a dona do café-bar. Ali mantém uma rotina simples, ao lado da mulher e da cadelinha Laika – uma homenagem à cachorrinha soviética, única tripulante do pioneiro satélite Sputnik I, em 1957.
 
Outras homenagens dedicam-se à França – Arletty (1898-1992) era a inesquecível atriz de clássicos como O Boulevard do Crime (1945) de Marcel Carné; e o célebre pintor Monet, ironicamente, empresta seu nome a um rigoroso inspetor de polícia (Jean-Pierre Darroussin).
 
Cuidadoso vigilante do porto contra a invasão recente de imigrantes clandestinos, o inspetor Monet fica de olho em Marcel por causa de um menino africano, Idrissa (Blondin Miguel). Depois de viajar por horas escondido num contêiner que veio do Gabão, Idrissa perdeu-se do resto de sua família, que se dirigia a Londres. Se for pego pelo inspetor, será deportado. Mas Marcel o encontra antes.
 
A opção de ajudar Idrissa acarreta alguns riscos para o próprio Marcel, já que um vizinho intolerante (Jean-Pierre Léaud, O Pornógrafo) insiste em denunciá-lo. A partir dessa divisão e da solidariedade encontrada por Marcel junto a outros vizinhos, revela-se a real intenção da história, discutindo as posturas éticas diante de problemas sociais, como essa imigração ilegal que hoje desafia a Europa em crise econômica.
 
Tanto como O Artista, de Michel Hazanavicius – que, como O Porto, competiu pela Palma de Ouro em Cannes em 2011 -, o filme de Kaurismaki volta-se para o passado, inspirando-se num mundo e num cinema que quase todos imaginavam perdidos. E que, no entanto, ressurgem com uma vitalidade impressionante neste pequeno conto no qual, recorrendo a um humor à la Buster Keaton, o diretor finlandês realiza um ou dois milagres.
 
Em tempo: o sobrenome do protagonista, Marx, tanto pode homenagear o pai do comunismo, Karl Marx, quanto o humorista Groucho Marx. Na história, cabem referências tanto a um quanto a outro, uma mistura que só Kaurismaki consegue fazer sem sobressaltos e com rara delicadeza.
 
O filme venceu o prêmio da Fipresci, Federação Internacional dos Críticos, no Festival de Cannes.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 04/03/2012 - 10h13 - Por Ana Paula Quem foi que disse que a delicadeza, a gentileza, o otimismo, a leveza e a bondade não podem ser plausíveis e dar o tom que a vida da gente tanto precisa?
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