Reis e Ratos

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País


Sinopse

Troy é um agente da CIA no Brasil, cuja fidelidade aos EUA está em xeque. Hervê é um locutor de rádio cujos transes mediúnicos quando está no ar salvam a vida de uma aspirante a cantora. Rato é um vigarista procurado pela polícia. A vida do trio se cruza pouco antes do golpe militar de 1964.


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Crítica Cineweb

15/02/2012

Para o seu terceiro longa como diretor, Mauro Lima (Meu nome não é Johnny) vai buscar inspiração na história real – o golpe militar no Brasil, em 1964 – para inventar teorias de conspiração e personagens um tanto caricatos. A trama de “Reis e ratos”, assinada pelo diretor, pretende fazer rir, mas parece não se dar conta do quanto é difícil arrancar algo de engraçado de um tema tão sério.

Uma das coisas que mais chama a atenção em Reis e ratos são as interpretações antinaturalistas. Selton Mello é Troy, agente da CIA que tem uma sapataria no Brasil, que lhe serve de fachada. Suas falas seguem a entonação de dubladores de filmes noir antigos. Cauã Reymond é Hervê, locutor de rádio de voz fanhosa, que tem transes mediúnicos no meio de seus programas. Rodrigo Santoro é Roni Rato, um vigarista sujo e de dentes estragados que vive de golpes e da venda de livros de porta em porta. Já a cantora Amélia Castanho (Rafaela Mandelli) usa o seu sotaque gaúcho ao natural.

Junto desses personagens, também estão outros americanos que têm como objetivo evitar que o Brasil se torne comunista – como é o caso de Skutch Sanders (Kiko Mascarenhas), que fala com o sotaque de americano em novela, e veio ao Brasil para investigar a fidelidade de Troy ao seu país natal.

O filme mostra diversos momentos, por meio dos pontos de vista desses e outros personagens, dos dias que antecedem o golpe militar. Uma bomba explode numa comemoração de uma pequena cidade do interior do Rio, onde Amélia se apresentaria. Ela é salva por um transe do radialista, que solta mensagens no ar sobre a explosão que ele prevê.

Os personagens se movem por cenários luxuosos dos bastidores do poder enquanto Troy e o Major Esdras (Otavio Müller) veem de perto o desenrolar de um golpe de estado – ou algo parecido. O roteiro é confuso, especialmente quando entra, no meio do filme, um longo flashaback em preto e branco.

Os diálogos mostram-se exagerados e forçados, tentando ser, ao mesmo tempo, informativos e pop. Mais perto do fim, quando o personagem de Cauã se transforma num espadachim viking, parece ser a prova de que Lima queria fazer um filme completamente sem nexo. E conseguiu.

Alysson Oliveira


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