A dama de ferro

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Sinopse

Filha de um comerciante e político de província, Margaret Thatcher cavou seu caminho com muito estudo, trabalho e luta contra os preconceitos. Conquistando a indicação do Partido Conservador, torna-se a primeira mulher a eleger-se primeira-ministra na Inglaterra. Uma administração marcada por sua inflexibilidade e medidas polêmicas.


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Crítica Cineweb

07/02/2012

Meryl Streep colecionou prêmios na pele da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher, protagonista da cinebiografia A Dama de Ferro, numa interpretação coroada com o terceiro Oscar da carreira desta que é a melhor atriz de sua geração. O filme venceu também o Oscar de maquiagem.
 
Exímia na atuação e no domínio de sotaques, Meryl é certamente o grande trunfo do filme da britânica Phyllida Lloyd (Mamma Mia!), com roteiro de Abi Morgan (de Shame), e no qual demonstra mais preocupação com um tom intimista do que de fidelidade histórica.
 
O foco do enredo está na humanização de sua polêmica personagem, que governou a Inglaterra com mão de ferro entre 1979 e 1990, notabilizando-se por uma defesa estrita do monetarismo, da privatização de estatais, da flexibilização do mercado de trabalho e cortes de benefícios sociais, eliminando inclusive o salário mínimo (depois restabelecido por Tony Blair, em 1999).
 
Passando um tanto batido por boa parte desse contexto político, o filme retrata a ex-primeira ministra – que faleceu recentemente - na atualidade, como uma velha senhora abalada pela semi-senilidade, solitária e cercada de auxiliares mais empenhados em vigiá-la do que acolhê-la. Difícil não se sentir penalizado diante desta situação, ainda mais contando com uma intérprete do quilate de Meryl Streep para explorar suas nuances.
 
Despojada de sua glória, esta senhora fragilizada tem pouco mais a fazer do que recordar o passado, que ela não raro discute com o fantasma do marido, Denis (Jim Broadbent) – uma sombra dos bons tempos que parece recusar-se a abandoná-la.
 
As lembranças trazem de volta as imagens de uma jovem de província (interpretada nesta fase por Alexandra Roach). Filha de um comerciante, ela vem de baixo e vai abrindo seu caminho, à custa de muito trabalho e estudo, na prestigiada universidade de Oxford.
 
Por influência do pai e do marido, que foi um executivo da indústria petrolífera, Margaret entra para o reduto machista da política. Apesar disto, com persistência e seguindo conselhos de alguns aliados, muda de penteado e impõe seu estilo, para tornar-se a primeira mulher a alcançar o cargo de primeira-ministra na Inglaterra.
 
Dificilmente, não despertaria alguma simpatia uma narrativa carregada deste tom feminista. O problema é que a época de Thatcher, como é de conhecimento geral, foi marcada por episódios cruciais, como a Guerra Fria, uma longa greve de mineiros, a Guerra das Malvinas com a Argentina e o enfrentamento com o Exército Republicano Irlandês (IRA) – que armou uma bomba para tentar matá-la, em 1984.
 
Sendo assim, o filme mostra-se tímido demais para retratar uma personagem assim complexa. E, ao contrário do consistente J. Edgar, de Clint Eastwood, que lidou à altura com o não menos polêmico chefão do FBI, John Edfar Hoover, A Dama de Ferro não dá conta nem de um mínimo da ambiguidade de sua importante protagonista.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 20/02/2012 - 15h19 - Por abel Neusa,achei o mesmo que vc já que o filme não é tão grandioso como sua interprete, mas precisaria de um diretor grandioso para isso, a biografia do j.edgar hoover foi muito criticada por critico respeitados por não ter profundidade, em gosta da dama de ferro pela meryl streep sem ela o filme parece um daquele filmes que a bbc sempre faz para mostrar algum grande politico esquecido das novas gerações, faltou históricamente varios fatos sendo mostrado , como ela conseguiu a simpátia do partido sendo mulher de origem humilde,não foi respondido,mas a interpretação e digna de oscar.
    p.s:neusa reparou que nos ultimos anos a cinebiografia ganham o oscar.
  • 27/02/2012 - 16h53 - Por Neusa Barbosa oi Abel:
    com certeza, para que este fosse um grande filme, faltou um grande diretor/diretora - Phyllida Lloyd não é. Clint Eastwood é, por isso "J. Edgar" foi mais fundo, sem absolver nem satanizar o personagem.

    Mas claro que Meryl é uma grande atriz, não vamos ficar tão chateados de ela ter vencido, né? Ela, pelo menos, merece.

    abs
  • 13/04/2013 - 19h29 - Por Maurício Neusa, só falta atualizar o texto... já que ela acabou de morrer!!

    Então foi excelente hora para sua cinebiografia retratando seus últimos dias, de fato.
    Concordo sim que faltou muita coisa para caracterizá-la... O fato de ser mulher ofuscou sua personalidade, tramas políticas como mencionou, e tudo o que fez, que é o mais importante.

    Thatcher para mim foi, com muita nitidez, uma figura típica da Guerra Fria. Uma época de guerras e de ferro como ela. Seu legado terrível deverá ser corrigido por futuras gerações.

    Que ela, onde está agora, preste contas ao Criador pelo que fez de bom e de ruim.
    Abs
  • 14/04/2013 - 12h14 - Por Neusa Barbosa olá Mauricio:
    ótimos comentários!
    e atualizamos o texto.
    abs
    Neusa
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