A fonte das mulheres

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 4 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

As mulheres de um vilarejo decidem fazer greve de sexo enquanto os homens não se esforçarem para resolver o problema de abastecimento de água, o que as obriga a carregar vasos pesados de uma fonte distante. Eles dizem que a tarefa é feminina e se voltam contra a organizadora do protesto.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/01/2012

No festivo, musical e politicamente correto A Fonte das Mulheres, o diretor romeno Radu Mihaileanu (O Concerto, Trem da Vida) imagina um manifesto feminista numa pequena comunidade muçulmana no Magreb, norte da África. Coproduzido pela França, Bélgica e Itália, o filme concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2011.

A pequena aldeia, assombrada pela seca, o desemprego e a corrupção das autoridades locais, que atrasam a instalação da água encanada e da eletricidade, sobrecarrega de trabalho pesado suas mulheres. Sempre carregando baldes nas costas, ladeira acima, ladeira abaixo, várias delas, grávidas, perdem os filhos. Depois de um novo aborto de uma delas, a jovem Leila (Leila Bekhti, de O Profeta), uma das raras mulheres que sabe ler, lidera uma greve de sexo, procurando forçar os homens locais a se mexerem para resolver os problemas do povoado.

É uma trama que evoca a peça grega Lisístrata, de Aristófanes, mas tem outros desdobramentos. Um deles é como se dividem as reações masculinas ao inusitado protesto, num contexto nitidamente machista e conservador. O marido de Leila, Sami (Saleh Bakri), está entre os liberais. Mas há homens intolerantes e impacientes, que partem para a agressão, acreditando assim poder dobrar as mulheres pela intimidação.

Como era de se esperar, as autoridades religiosas intervêm, o que dá margem a uma animada discussão sobre aquilo que está ou não previsto no Alcorão. Como em qualquer religião, tudo, depende das interpretações, que viajam ao sabor da conveniência de quem se habituou a ser sempre amo e senhor e não quer ver o fim desse estado de coisas.

Mesmo entre as mulheres, as opiniões se dividem. A sogra de Leila (Hiam Abbass, de Free Zone), está à frente do bloco ultraminoritário que hostiliza as neofeministas, especialmente por ser encabeçado por sua nora – que veio de outra região e nunca foi muito bem-vista por ela.

Ainda que tratando de temas sérios, o tom grave é quebrado pelo formato musical. Usando canções, injeta-se um bem-vindo humor em inúmeras situações. Não só isso. Se há um mérito no filme de Mihaileanu é lançar uma luz diferente sobre a cultura muçulmana, quebrando o molde monolítico que o fundamentalismo procura fazer crer que seja a sua única voz e expressão. Diante das sucessivas rebeliões recentes no mundo árabe (Egito, Tunísia, Síria), o filme ganha ainda mais interesse e atualidade.

Outro ponto alto é o elenco feminino principal, em que se destacam a veterana Biyouna (como a rebelde Velho Fuzil), Hafsia Herzi (O Segredo do Grão) e Sabrina Ouazani (Homens e Deuses).

 

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança