A separação

Ficha técnica

  • Nome: A separação
  • Nome Original: Nader az Simin
  • Cor filmagem: Colorida
  • Ano de produção: 2011
  • Gênero:
  • Duração: 123 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção:
  • Elenco:

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País


Sinopse

Simin quer divorciar-se de Nader e partir para o exterior com a filha única, Termeh. Nader não pode abandonar o pai, que tem o mal de Alzheimer. Diante do impasse, Simin divorcia-se e vai morar com a mãe, enquanto a filha decide ficar com o pai. Contrata-se uma empregada, Razieh, para cuidar do pai idoso de Nader. Perturbada por dúvidas religiosas e problemas familiares, como o marido desempregado, Razieh estará no centro de uma nova situação de conflito, que terminará no tribunal.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/01/2012

Em Rashomon, filme do japonês Akira Kurosawa que ganhou o Leão de Ouro em 1951, as impressões sobre um crime variavam ao sabor dos relatos de cada um dos implicados – contando-se inclusive com o fantasma da vítima. A mesma volatilidade sobre a verdade emerge, numa chave completamente diferente e atual, do drama iraniano A Separação, de Asghar Farhadi. O filme venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2011 e também acumulou as premiações de melhor ator e atriz, divididas entre suas duas duplas de protagonistas. Em 2012, venceu o Oscar de filme estrangeiro.

Sem reduzir-se a um drama de tribunal, as duas tramas do admirável roteiro, assinado pelo diretor, esbarram num sistema judicial que evidencia a existência de um Estado autoritário, teocrático e machista, num contexto em que o poder de decisão dos personagens parece a cada momento escapar-lhe das mãos.

A história começa, abrupta e sem antecedentes, numa corte, em que o casal de classe média formado pela médica Simin (Leila Hatami) e o bancário Nader (Peyman Moaadi) discute seu divórcio. Simin quer deixar o país e levar a filha única de 11 anos, Termeh (Sarina Farhadi). Nader alega que não pode abandonar o pai (Ali-Asghar Shalbazi), que sofre de Alzheimer.

Desprezando a petição de Simin, o juiz nada resolve. O casal se divorcia e Simin ruma para a casa da mãe, permanecendo num impasse, já que a filha fica com o pai. Depois, contrata-se uma empregada, Razieh (Sareh Bayat), para cuidar do sogro.

Ultra-devota, Razieh entra em conflito com suas tarefas cotidianas, que incluem trocar e banhar o patrão idoso. Outros problemas familiares afloram. Seu marido, Hodjat (Shahab Hosseini), está desempregado, ela tem que levar para o trabalho a filha pequena (Kimia Hosseini). Um dia, Nader chega mais cedo em casa e descobre o pai sozinho e amarrado na cama.

Por ter supostamente causado o aborto da empregada depois de um empurrão, Nader acaba processado. A partir deste novo round jurídico, emerge uma meticulosa discussão sobre a elaboração da verdade.

O espectador do filme acompanha, com o coração aos pulos, a oscilação das próprias emoções ao sabor do que cada um sabe e diz. O clima de pesadelo kafkiano poderia tornar-se exaustivo, porque apoiado em tantas discussões. O filme salva-se deste perigo pela montagem segura do drama, que regula a conta-gotas revelações cruciais sobre os incidentes, num desenrolar sinuoso, que certamente também procura driblar a vigilante censura no Irã.

Fechando seu foco daquilo que é essencial à natureza humana, acima das diferenças sociais, econômicas e culturais, A Separação torna-se aflitivamente universal.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 11/03/2012 - 19h09 - Por Marcia j s Zanotti Neusa
    Sua crítica sobre o filme é perfeita, como todas e sempre me inspira.
    Parabéns e continue escrevendo e destacando o que apesar de sentir, não conseguimos tão bem expressar
    Marcia
  • 11/03/2012 - 23h07 - Por Neusa Barbosa Marcia:
    agradeço os elogios e a gentileza,
    abs
    Neusa
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