O espião que sabia demais

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Sinopse

George Smiley perde o seu posto na inteligência britânica, mas ainda assim é investigado como um possível infiltrado soviético. Ele e alguns de seus colegas de trabalho se tornam os traidores em potencial, nesse suspense baseado num romance de John Le Carré.


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Crítica Cineweb

12/01/2012

O período é um daqueles anos obscuros da Guerra Fria. Olhando agora, em pleno século XXI, para trás, aquele momento geopolítico parece, no mínimo, conturbado. Por isso, não importa muito bem quando se situa a trama de O espião que sabia demais. Conhecer um pouco da Guerra Fria ajuda – mas não é condição imprescindível para acompanhar a trama intrincada que, no fundo, é uma alegoria sobre disputas de poder, regada – como todas boas histórias de espiões – a intrigas, traições e jogos duplos.

O diretor sueco Tomas Alfredson ficou conhecido pelo seu sensível Deixa ela entrar – filme sobre uma menina vampira que trava amizade com um garoto fraco, vítima constante de bullying. Aqui, ele volta suas lentes para outro tipo de vampiros – capazes de sugar mais do que apenas o sangue de seus inimigos, especialmente quando esses inimigos estão jogando no mesmo time. O roteiro, assinado por Bridget O'Connor e Peter Straughan, é baseado no romance homônimo de John Le Carré que em 1979 rendera uma série de televisão inglesa que não tinha a mesma verve deste filme.

Gary Oldman – que já viveu Drácula (em Drácula de Bram Stoker) – aqui é George Smiley, um personagem seminal da literatura do escritor, que fez sua primeira aparição na estreia de Le Carré, no começo dos anos de 1960. Só em O espião que sabia demais o personagem alcançou o posto de protagonista, trazendo consigo não só uma bagagem emocional, como intelectual, ganhando aqui mais intensidade. No filme, ele é o centro das atenções ao desvendar uma trama complexa que começa com a sua demissão humilhante.

O chefe do serviço secreto, Control (John Hurt), manda seu enviado quando o assunto envolve sujar as mãos, Jim Prideaux (Mark Strong), investigar quem poderá ser o infiltrado nos altos escalões da agência. Poderia ser qualquer uma das pessoas com quem eles se relacionam – todos muito simpáticos e prestativos e, de cara, suspeitos exatamente por isso.

O diretor Alfredson não está interessado no suposto glamour – graças a James Bond – que a categoria profissional exala. Aqui, o foco recai sobre as transações, sempre feitas às escondidas, entre sussurros e suspiros, pelas pessoas usando o fog londrino como o melhor esconderijo.


Ao levar para as telas um livro complexo de mais de 400 páginas, reduzido a um filme de cerca de duas horas, Alfredson faz algumas escolhas e leva a trama à sua essência, deixando para as imagens dizerem muito mais do que as palavras. O que, de início, pode parecer um filme confuso e quase inteligível, aos poucos, revela-se uma trama intrincada que desafia ao público, ao lado de Smiley, a decifrá-la. As peças do jogo de xadrez servem como uma  ilustração eficiente, aliás, atribuindo a cada um dos envolvidos na investigação – infiltrados em potencial – o codinome das profissões do título original do filme, Tinker, tailor, soldier, spy: ou seja, funileiro, alfaiate, soldado e espião.

A partir de uma pista vinda de outro agente, Rick Tarr (Tom Hardy), Smiley começa a investigar os espiões. Em meio a essa trama, acaba descobrindo uma operação sendo armada contra o arqui-inimigo, Karla, da inteligência soviética. Enquanto isso, Pridaux é mandado para Budapeste, onde irá se encontrar um general húngaro que quer se refugiar na Inglaterra e parece ser capaz de identificar o infiltrado, que na visão de Control pode ser qualquer um do seu grupo: Percy Alleline (Toby Jones), Toby Esterhase (David Dencik), Roy Bland (Ciaran Hinds) ou Bill Haydon (Colin Firth).

Oldman, no papel que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar, como todo o elenco, atua na medida certa. Ele vai buscar o personagem em sua essência – duas vezes interpretado na televisão nos anos de 1980 por Alec Guiness. Como bom espião que é, Smiley é uma figura que passa, muitas vezes, despercebida, em segundo plano, observador. A lembrança de sua mulher,  Ann (Katrina Vasilieva), é uma imagem que o persegue e, estranhamente, também o ilumina.

Em meio a sombras e neblina, Alfredson conjura um filme que transita entre o drama e o suspense. Suas tintas são sempre carregadas e sombrias, num mundo predominantemente masculino, do qual não há muitas formas de escapar. Mais do que uma intriga de espionagem, O espião que sabia demais é um drama sério e tenso sobre honra e mentiras, segredos e traições. O pano de fundo é uma desculpa geopolítica para, no fundo, falar da essência humana.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 19/01/2012 - 11h06 - Por Sonia Brazão Eu adorei o filme. Esqueçam o glamour dos espiões bem barbeados, sexys, sorridentes e estilosos, eis aqui uma trama de mentiras e traições com homens de roupas e rostos amassados e cabelos desgrenhados, lutando pelo que consideram correto.
    Temos que prestar muita atenção pois o suspense e ação numa fotografia escurecida e as lembranças coloridas se misturam com o emaranhado fantástico da excelente história. Gary Oldman, que muita gente adorou numa participação especial do seriado Friends dá seu show.
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