Cavalo de guerra

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Sinopse

O casal de agricultores Red e Rosie arrenda uma terra e necessita de um cavalo para ará-la. Mas Ted gasta suas economias num belo cavalo mais apto à montaria do que ao trabalho. Seu filho, Albert, porém, treina o cavalo, que chama de Joey. Os dois viverão dramas e aventuras por conta da I Guerra Mundial, que os separa.


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Crítica Cineweb

04/01/2012

Mais famoso e bem-sucedido rei de Hollywood, não é todo dia que Steven Spielberg resolve sentar na cadeira de diretor. Leva dois, três anos de cada vez até achar um projeto que tenha a sua cara, enquanto persevera numa vertiginosa carreira de produtor. No final de 2010, em compensação, achou dois. O primeiro, Cavalo de Guerra, está chegando aos cinemas, com seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, além de fotografia, direção de arte, música, edição de som e mixagem de som. No final do mês, estreia o outro, As aventuras de Tintim.
 
Spielberg é o tipo do profissional do cinema que já tem tudo, todos os prêmios, toda a fama, tudo que alguém do ramo pode sonhar. Sobra, então, a paixão por lançar-se numa história que preencha os requisitos daquilo que move a sua sensibilidade e inegável competência. De certa maneira, o diretor revisita O resgate do soldado Ryan (98), seu melhor drama até aqui, numa carreira pontuada por maior perícia em aventuras (Caçadores da Arca Perdida) e filmes com elementos fantásticos (E.T.- O Extraterrestre, Minority Report – A Nova Lei, A.I. Inteligência Artificial, O Mundo Perdido: Jurassic Park).  
 
Com uma ambição que é também combustível para um contínuo esforço de auto-superação, Spielberg lança-se, em Cavalo de Guerra, ao resgate de um cinemão à moda antiga, no bom sentido. Procura realizar aquele tipo de narrativa épica e arrebatadora que sintonize com todo tipo de público, de qualquer idade, de qualquer nação e que seja capaz de transcender qualquer barreira temporal.
 
O clima de nostalgia de uma história ambientada no começo do século 20, às vésperas da I Guerra Mundial, serve para sinalizar que aqui se falará de valores eternos – que alguns podem até ter esquecido, mas cuja validade o filme se encarregará de testar.
 
Baseados no bestseller de 1982 do inglês Michael Morpurgo, os roteiristas Lee Hall (Billy Elliott) e Richard Curtis (Quatro Casamentos e um Funeral) recriam para a tela uma história que, na essência, resume-se à irrompível ligação entre um jovem, Albert (o novato inglês Jeremy Irvine), e seu cavalo, Joey.
 
Albert é o filho único de um casal de agricultores, Ted (Peter Mullan) e Rosie (Emily Watson), que arrendou uma pequena propriedade do rico Lyons (David Thewlis) nos arredores de Devon, Inglaterra. Para pagar o dono e poder arar a propriedade, a família precisa de um cavalo. Contra toda a lógica e para afrontar seu esnobe arrendatário, Ted acaba comprando um cavalo lindo, mais apropriado à montaria do que à lide agrícola. De quebra, torra as economias familiares.
 
A ousadia cai bem aos olhos do filho, que se encarregará de treinar Joey para enfrentar quase tudo, inclusive o arado – uma habilidade que salvará sua vida numa situação inusitada no futuro.
Sustentando o controle do ritmo da narrativa, Spielberg constrói solidamente esta relação de afeto entre Albert e o cavalo, que enfrentará desafios mortais na I Guerra, a última em que cavalos foram usados nas frentes de batalha da Europa. Uma guerra que ficou conhecida pela selvageria de suas trincheiras e que teve um saldo estimado em um milhão de mortos.
 
Cavalo de Guerra trata desta separação entre Albert e Joey, quando o cavalo é vendido por Ted para as tropas inglesas, e vai mudando de mãos, entre britânicos, alemães e franceses, ao longo do conflito. Todo tipo de peripécia e agrura espera este valoroso cavalo, que suporta o inominável esforço de carregar canhões por campos enlameados e resiste aos tiros e balas de canhão em diversos combates.
 
Albert, do seu lado, mantém-se firme em sua disposição de reencontrar seu cavalo, custe o que custar, por absurda que pareça esta intenção, no clima geral de destruição causado pela guerra. O rapaz alista-se como soldado e nunca perde a esperança de recuperar Joey, que se torna um símbolo daquilo que um ser humano não abre mão, sob risco de perder sua própria essência.
 
Por mais que o espectador seja duro, é virtualmente impossível resistir ao encantamento lançado por Spielberg numa história poderosa, impecavelmente filmada – em que ele recorre, mais uma vez, ao seu diretor de fotografia habitual, Janusz Kaminski (A lista de Schindler) -, montada (digitalmente, o que ocorre pela primeira vez na carreira de Spielberg) e encenada, com poucos, mas precisos efeitos visuais em ação (30 cenas no filme todo, especialmente nas impressionantes sequências de batalha).
 
Pode-se criticar, aqui e ali, um excesso – talvez o maior seja o uso da música, como sempre, de autoria do competente John Williams. Mas é inegável que Cavalo de Guerra recupera o melhor de uma tradição cinematográfica que visa envolver o espectador, tirá-lo do chão, mexer com suas emoções, contando com toda a pesquisa e recursos técnicos necessários, mas que não seriam nada se a história não fosse mesmo grandiosa e resplandecesse na pele dos atores. É um grande e talentoso elenco, afinado como uma orquestra. E o cavalo também é demais.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 06/01/2012 - 17h34 - Por Carlos Quero muito ver esse filme!! Sou fã do Steven e acho que ele fez um bom trabalho,como sempre.
  • 07/01/2012 - 15h26 - Por Abel nossa porque o spielberg aceitou um projeto tão antiguado e sem graça como esse filme é um dos mais chatos da carreira dele junto com amistad, não tinha razão de ter sido feito, tudo é quadrado pudico demais não acrescenta em nada na sua filmografia, tomara que ele se recupere com tintin.
  • 09/01/2012 - 16h10 - Por Neusa Barbosa Olha, Abel, eu discordo: acho que esta história tem a cara do Spielberg, tem todos os elementos que ele sempre procura num filme. Por isso ele quis dirigir.

    O que ele tem de pudico tem a ver com a época da história também, não? Afinal, era o começo do século XX. Portanto, cem anos atrás. A nostalgia é, aliás, um dos elementos da atmosfera toda.

    E a origem da história é um livro infanto-juvenil, compreende-se também essa relativa contenção - que não ocorre nos campos de batalha, no entanto, que tem sequências bem fortes e realistas.

    Também não concordo com sua crítica a "Amistad"... Acho um filme que foi mal-avaliado na época, merece uma revisão.

    bjs

    Neusa
  • 14/01/2012 - 11h14 - Por Gabriel Moraes Neusa,adorei o filme. Como eu sempre digo, steven spielberg não faz filmes ruins.tdo é fantástico e muito bem feito em cavalo de guerra. Sensacional. Parabéns pela excelente crítica que vc escreveu.
  • 14/01/2012 - 11h56 - Por Neusa Barbosa Oi Gabriel:
    obrigada pelos elogios.
    Spielberg bem que os merece aqui também.
    abs
  • 19/01/2012 - 00h36 - Por Ademar de Queiroz Neusa, "Cavalo de Guerra" é exatamente isso que você descreveu. Gostei muito. E fecho com você também em relação ao "Amistad", outro grande filme do Spielberg.

    Abração
    Ademar
  • 28/01/2012 - 20h11 - Por Neusa Barbosa Poxa, Ademar, obrigada!
    que bom que concordamos - também em relação a "Amistad"
    abraço,

    Neusa
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