Hiroshima - um musical silencioso

Ficha técnica

  • Nome: Hiroshima - um musical silencioso
  • Nome Original: Hiroshima
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Colômbia
  • Ano de produção: 2009
  • Gênero: Drama
  • Duração: 80 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Pablo Stoll
  • Elenco: Juan Andrés Stoll, Noelia Burlé

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Locais de filmagem


Sinopse

Juan trabalha numa padaria de madrugada. Durante o dia, divide-se entre as tarefas cotidianas e a participação numa banda. Um mundo que se expressa praticamente sem palavras.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/11/2011

Foi um longo silêncio o do cineasta Pablo Stoll, elaborando o luto pela morte do parceiro e amigo, Juan Pablo Rebella, que se suicidou em 2006. Juntos, eles haviam feito dois longas de repercussão, 25 Watts (2001) e Whisky (2004), vencedor de 20 prêmios, entre eles o principal da mostra Un Certain Regard e o da Fipresci em Cannes.
 
Habilmente, Stoll tematiza o silêncio em seu novo longa, Hiroshima – um musical silencioso, um filme realmente quase mudo. A intensidade está então no que se mostra e no que se vê, acompanhando o cotidiano despojado de Juan Andrés Stoll, irmão do diretor.
 
Juan é uma figura ao mesmo tempo comum e anticonvencional. A câmera segue suas pegadas desde as primeiras horas da manhã de um dia qualquer, quando ele dá os últimos retoques nas fornadas de biscoitos da padaria onde trabalha. Lentamente, ele caminha pelas ruas de Montevidéu, entre as luzes do amanhecer, rumo ao seu sono matinal.
 
Morando com os pais, ele nem sempre os vê, por terem turnos de trabalho opostos. Encontra na cozinha os bilhetes com instruções de tarefas cotidianas, como lavar a louça e comprar alguma coisa. Dorme, fuma, e se prepara para sua grande atividade noturna – tocar numa banda com amigos.
 
Evitando diálogos, o filme se vale dos bilhetes, placas, sinais escritos e também de legendas para traduzir as falas dos personagens – criando uma estranheza que se encaixa no clima com naturalidade. Stoll já lidara extraordinariamente com a estranheza num outro registro, com os personagens taciturnos de Whisky. Aqui, a chave é mais sutil, mas igualmente sofisticada, utilizando sua intencionalidade em favor do que procura dizer, tendo como aliados inúmeros sons ambientes. Aqui, só as pessoas são mudas na tela.
 
Mesmo sem falar muito, é possível ler Juan pela expressão corporal, pelas atitudes. Ficamos íntimos do que aos poucos se expressa na tela como uma opção existencial, uma procura, uma contemporaneidade simples. As idas e vindas, os reencontros, os desacertos. As imagens da infância numa câmera familiar – é mesmo necessário guardar todas estas memórias ? E a música, esta sim fala alto. E o fato de que duas delas tenham sido compostas por Rebella – uma delas dá nome ao filme – completa o que aqui se quer dizer desta maneira, neste momento. Mais uma vez, o jovem diretor se mostra original, instigante, mesmo que sua maior intenção nem tenha sido esta. Bem-vindo de volta, Stoll.

Neusa Barbosa


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