Isto não é um filme

Ficha técnica

  • Nome: Isto não é um filme
  • Nome Original: This is not a film
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Irã
  • Ano de produção: 2011
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 75 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Mojtaba Mirtahmasb, Jafar Panahi
  • Elenco:

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Sinopse

Detido em prisão domiciliar e proibido de filmar, escrever roteiros, dar entrevistas e sair do Irã por 20 anos, o cineasta Jafar Panahi conta com a cumplicidade do colega Mojtaba Mirtahmasb para revelar seu cotidiano - em que luta para reverter sua sentença e sonha em filmar novas histórias.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/11/2011

Apesar de todo o cerceamento que lhe vem sendo imposto pelo atual governo iraniano, o cineasta Jafar Panahi conseguiu, no começo de 2011, romper o círculo de silêncio com um novo filme, ironicamente chamado Isto não é um filme - um engenhoso título que ao mesmo tempo parodia a famosa obra do pintor surrealista René Magritte (Ceci n’Est Pas Une Pipe), bem como ironiza sua própria condição. Um filme de guerrilha, autodocumentário, feito com a cumplicidade indispensável de um colega e compatriota, o codiretor Mojtaba Mirtahmasb, também preso e acusado de “espionagem” no Irã.
 
Simples até a medula, este manifesto visual saiu do Irã clandestinamente - num pendrive escondido num bolo – em maio passado, rumo a Cannes, o primeiro de uma série de festivais que o acolheram pelo mundo afora. Retrata o cotidiano solitário e claustrofóbico do diretor de O Balão Branco, O Círculo (Leão de Ouro em Veneza), Ouro Carmim, Fora de Jogo. Proibido de sair de seu belo apartamento pelo estado de prisão domiciliar e desfrutando da companhia insólita de Igi, o iguana de sua filha, Jafar conversa com o colega que o filma, com parentes, amigos e com a advogada, pelo telefone – procurando saber suas perspectivas no apelo que fez ao tribunal para suspender sua sentença.
 
Dois contatos pessoais são acidentais. O primeiro, com uma vizinha que tenta convencê-lo a tomar conta de seu cachorrinho, o que acaba dando errado. O segundo, com um rapaz que veio buscar o lixo, um estudante de arte fazendo um bico e com quem o cineasta solitário puxa conversa e acompanha numa pequena saída no elevador, até o pátio de entrada de seu prédio. Uma pequena e documentada transgressão ao seu absurdo cárcere privado.
 
O segmento mais comovente do filme é quando Jafar tenta encenar algumas partes de um roteiro que não pode filmar. Quando ele constrói com uma fita o cenário do quarto da protagonista e descreve a situação de opressão da personagem (é uma menina que entrou na faculdade de arte mas é trancada pelos pais para não se matricular), impossível não pensar na situação do próprio diretor, condenado por “agir contra a segurança nacional” e “criar propaganda contra o regime” a seis anos de prisão, fora 20 anos de proibição de filmar, viajar ao exterior e falar com a imprensa. Uma sentença que foi confirmada em outubro por um tribunal em primeira instância e cuja última esperança de uma reversão está num apelo à Suprema Corte no Irã. Um quadro com poucas esperanças no curto prazo. Como se sabe, há vários outros cineastas, jornalistas, artistas e ativistas presos naquele país, além de outros que procuraram o exílio, como Mohsen Makhmalbaf, suas filhas Samira e Hannah, e Bahman Gohbadi. Vai muito mal a liberdade de expressão no Irã.

Neusa Barbosa


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