Eu eu eu José Lewgoy

Ficha técnica

  • Nome: Eu eu eu José Lewgoy
  • Nome Original: Eu eu eu José Lewgoy
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2009
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 92 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Cláudio Kahns
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

O documentário relembra a carreira do talentoso e temperamental ator gaúcho José Lewgoy, que saiu cedo da casa dos pais, adotando o palco como profissão. Dedicado ao ofício, fez longa carreira no cinema, atuando como vilão nas comédias da Atlântida, no Cinema Novo e depois, além de ter sucesso também na televisão.


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Crítica Cineweb

23/11/2011

Quando se fala em versatilidade de um ator, poucos profissionais podem materializá-la melhor do que José Lewgoy (1920-2003), o protagonista do documentário Eu eu eu José Lewgoy, de Cláudio Kahns (Mamonas pra sempre).
 
Com uma formação rara, que incluía um curso de Artes Cênicas na prestigiada Universidade de Yale (EUA) e uma larga experiência em cinema, teatro e televisão, Lewgoy foi o tipo do ator que fez de tudo, em primeiro lugar a si mesmo.
 
Deixando a casa paterna da pequena Veranópolis (RS), onde nasceu, com apenas 16 anos, foi apresentado ao palco em Porto Alegre, nos anos 1930, no Teatro do Estudante – um período lembrado no filme pelo amigo Walmor Chagas. Trabalhando também como tradutor, Lewgoy conheceu os escritores Mario Quintana e Érico Verissimo, por intermédio de quem conseguiu a bolsa de estudos para Yale.
 
De volta ao Brasil, no final da década de 1940, encontrou o cinema brasileiro em plena expansão das chanchadas e logo se tornou o vilão por excelência do gênero que arrastava multidões aos cinemas para ver a dupla Oscarito e Grande Otelo, os astros de seu primeiro filme, Carnaval no Fogo (1949).
 
Mas foi só a partir do terceiro filme, Aviso aos Navegantes (1950), que seu salário passaria dos 50.000 cruzeiros, privilégio de poucos na época.
 
Consagrado nas chanchadas, Lewgoy viajou ao Festival de Cannes em 1954, decidindo ficar na França. Abrindo mão da segurança que alcançara no Brasil, chegou a sobreviver dos desenhos que fazia em praças públicas. Mas realizou naquele país também seus primeiros filmes internacionais, como SOS Noronha (57), ao lado do famoso Jean Marais (A Bela e a Fera).
 
Mais uma vez de volta ao Brasil, o ator entra na efervescência do Cinema Novo, interpretando um governador corrupto em Terra em Transe (67), de Glauber Rocha. Em entrevistas de arquivo, o próprio ator recorda, divertido, que numa sequência filmada numa favela, os moradores não sabiam que se tratava de uma filmagem e dirigiam-lhe queixas como se se tratasse de um político real.
 
Mesmo nunca abandonando o cinema, Lewgoy foi descoberto já na maturidade pela televisão, atuando em novelas como O Rebu (74) e Anjo Mau (76), entre outras. Depoimentos dele mesmo e de colegas dão conta daquele que provavelmente foi seu maior desentendimento profissional, com o diretor televisivo Paulo Ubiratan.
 
Duas das entrevistas mais interessantes são a do cineasta brasileiro Guilherme de Almeida Prado, contando um curioso incidente ocorrido no set de A Hora Mágica (99), e a do alemão Werner Herzog, com quem o intérprete brasileiro filmou Fitzcarraldo (1982), merecendo dele a descrição como “um ator genial”.
 
Consistente e informativo, o documentário não faz segredo da personalidade egocêntrica do talentoso ator, que justifica o título irônico do filme. Mas era um ego que nunca se separava do talento.

Neusa Barbosa


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