Evoé! Retrato de um antropófago

Ficha técnica

  • Nome: Evoé! Retrato de um antropófago
  • Nome Original: Evoé! Retrato de um antropófago
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2011
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 110 min
  • Classificação: 18 anos
  • Direção: Tadeu Jungle, Elaine César
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Aos 73 anos, o ator, diretor e autor teatral José Celso Martinez Correa é o personagem deste documentário, que procura acompanhar sua fala intensa sobre os mitos que norteiam sua vida: o deus Dionísio, o filósofo alemão F. Nietzsche e o dramaturgo paulista Oswald de Andrade.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

23/11/2011

Não é fácil dar conta de José Celso Martinez Corrêa, o fundador e diretor do Teatro Oficina, marco de cultura e resistência encravado no bairro do Bixiga paulistano. O ator, diretor e autor paulista é um turbilhão permanente, manancial de palavras, ideias e de encantamento e também de manipulação. Zé Celso, como ele é chamado, é sedutor e, aos 73 anos, há muito tempo sabe disso.
 
O documentário Evoé! Retrato de um Antropófago, de Tadeu Jungle e Elaine César, se aproxima do mito sem a pretensão a desafiá-lo. Achega-se a ele com carinho e indiscutível reverência – talvez condição inalienável para fazer um filme sobre o artista. Mas aí cede a outro perigo, sucumbir à sua sedução e assim é, em não poucos momentos, sugado por ele nem sempre de um modo condizente com sua intenção de revelá-lo.
 
Zé Celso é um ser da palavra e só por ela pode ser minimamente decifrado. Homem do teatro, do palco e do movimento, ele se acende também diante de uma câmera. O filme informa que foi um dos primeiros brasileiros a ter uma câmera de vídeo, no começo dos anos 80 (o outro teria sido o cineasta Fernando Meirelles). Conta-se também que Zé Celso, desde então, filma-se obsessivamente. Uma das palavras-chave de Zé Celso é: ego.
 
Zé Celso é uma personalidade grande, luminosa, respeitável e, na mesma medida, vaidosa e polêmica. Dentro de tudo isso – ou por causa disso -, conseguiu salvar o Teatro Oficina da destruição que tantas vezes pareceu inevitável nestes seus 53 anos de existência. Revelar trechos de algumas de suas peças – As Bacantes, Os Sertões – fornece uma pista do que têm de incendiárias suas encenações, tanto quanto conflituosos, por vezes, seus bastidores. Da mesma forma, são úteis as memórias dos embates para manter o teatro – com o apresentador Silvio Santos, o mais complicado e afinal resolvido com uma habilidosa negociação.
 
O Zé Celso visto em viagens organizadas pelo filme é às vezes revelador – como seu lado iconoclasta manifestando-se em cenários improváveis, como nas ruínas de Delfos e Epidauros, na Grécia. Lá, como numa praia de Alagoas e no sertão baiano, Zé Celso se desnuda, literalmente. Fuma maconha, bebe vinho, celebra o deus Dionísio, Friedrich Nietzche, Oswald de Andrade, sua conhecida trindade de influências maiores e assumidas.
 
Há momentos em que ele fica muito sério e comove, quando descreve as torturas que sofreu na ditadura militar – e que reproduz numa fala quase teatral, mencionando um inesperado olhar humanizante, trocado de relance com um torturador. Nesses momentos, o filme cresce, porque transcende a armadilha verbal que o diretor por vezes lança sobre seus ouvintes, sem necessariamente ir além da aparência das palavras.
 
É bom o uso de imagens de um antigo programa Roda Viva em que Zé Celso é contestado asperamente por jornalistas sobre sua pretensão de obter, na época, cerca de um bilhão de cruzados para o seu teatro. Nesses momentos, o artista se revela maior e mais contundente do que quando simplesmente deixado à vontade, ou adulado por seus inúmeros admiradores.
 
É disso que se ressente Evoé! Retrato de um Antropófago – de um maior contraditório. A grandeza de Zé Celso se exibe maior e melhor sob contestação. Deixado a si mesmo, ele às vezes é mostrado de forma redundante, não muito justa para com o que ele é e significa.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança