Não sei como ela consegue

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Sinopse

Kate tem tudo que quer, mas não consegue ser feliz, por estar totalmente dividida numa porção de tarefas. Trabalha e viaja muito, como executiva financeira. Quando volta para casa, tenta ser a esposa e a mãe ideal. Para piorar, vai ter que satisfazer um investidor muito exigente.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

23/11/2011

O maior trunfo da comédia Não sei como ela consegue, de Douglas McGrath, é o charme de Sarah Jessica Parker – aposta segura, dada a grande receptividade da atriz que estrelou Sex & the City por seis anos, sem contar dois longas baseados na bem-sucedida série, em 2008 e 2010.
 
Tal como a Carrie Bradshaw do seriado, a personagem de Sarah aqui é pilhadíssima – Kate Reddy, uma executiva financeira, que se divide entre um trabalho estafante, que a obriga a frequentes viagens, um marido, o arquiteto Richard (Greg Kinnear), e dois filhos pequenos.
 
Com vocação para supermulher, Kate não consegue delegar muita coisa – quer ser a mãe capaz de bater um bolo de madrugada para a filha levar na escola no dia seguinte, mostrar-se apaixonada na cama com o marido e ainda segurar todas as barras num emprego complicado e competitivo. Só pode render estresse e cobranças de todo lado. Na verdade, tudo isto poderia ser um drama.
 
Mas o roteiro de Aline Brosh McKenna (de O Diabo Veste Prada), que por sua vez se baseia no livro homônimo de Allison Pearson, procura o tom mais leve. O foco está no dilema de Kate, ganhando a grande chance de sua vida ao ser escolhida para assessorar Jack Abelhammer (Pierce Brosnan) num grande projeto. Ela tem todo o talento para isso, trabalhou a vida toda por uma oportunidade assim. Agora vai ter que enfrentar as exigências de Jack, o olho gordo de um colega competitivo (Seth Myers), as cobranças do chefe (Kelsey Grammer), do marido e dos filhos, ainda mais diante de suas agora cada vez mais frequentes viagens a Nova York (a família mora em Boston).
 
Mesmo sendo comédia, o grande problema é que ninguém parece uma pessoa de verdade – nem Kate, nem as mães dos amiguinhos de sua filha, nem seus colegas, ou mesmo seus sogros, todos verdadeiros clichês ambulantes. A história parece existir num vácuo, num mundo paralelo em que analistas financeiros são praticamente beneméritos e a crise mundial por conta da especulação financeira nunca existiu. Até o ensaio de um romance por parte de Jack parece um tanto artificial. Num contexto engessado desses, há pouco do que rir.

Neusa Barbosa


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