A chave de Sarah

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Jornalista americana radicada em Paris pesquisa episódio pouco divulgado da perseguição aos judeus na França durante a II Guerra, quando 13 mil pessoas foram confinadas num velódromo. A história da tragédia entrelaça-se com a vida da própria jornalista.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/11/2011

Norte-americana radicada em Paris, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) começa a pesquisar um episódio pouco divulgado da perseguição antissemita na França – a tragédia do Velódromo de Inverno, ocorrida em julho de 1942, quando cerca de 13.000 judeus franceses, homens, mulheres e crianças, foram arrancados de suas casas e amontoados no velódromo por cinco dias, sem comida, com pouca água e sob assustadoras condições higiênicas. Alguns se suicidaram ali mesmo, outros foram mortos tentando fugir. Os demais foram enviados a campos de concentração como Drancy e Auschwitz. Muito poucos voltaram.
 
A história deste genocídio, conduzido do pelo governo francês de Vichy, e a trajetória pessoal da própria jornalista, entrelaçam-se no enredo de A Chave de Sarah, o sexto filme do diretor francês Gilles Paquet Brenner, que assina também o roteiro, ao lado de Serge Joncour, adaptando o bestseller homônimo de Tatiana De Rosnay.
 
A chave em questão pertencia, em 1942, à pequena Sarah Starzynski (Mélusine Mayance). Pouco antes da invasão de seu apartamento por policiais que, finalmente, arrastariam toda a sua família ao velódromo, Sarah tenta salvar o irmão caçula, trancando-o num armário e tendo o cuidado de pedir-lhe que fique em silêncio, esperando sua volta para libertá-lo.
 
Nos dias que correm, Sarah e os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaray), desesperam-se, além da penúria e do encarceramento, com a sorte do pequeno que ficou para trás. Habilmente, o diretor administra as informações sobre esta história dilacerante, mantendo o coração do público em suspenso.
 
Paralelamente, no tempo presente, a investigação da repórter abre flancos inesperados para ela própria. Morando em Paris com o marido francês, Bertrand (Frédéric Pierrot), e a filha adolescente, Julia está prestes a mudar-se para um pequeno apartamento no bairro do Marais, pertencente à família do marido – local onde ela descobre uma ligação com a história de Sarah.
 
Embora armado, notoriamente, para atrair o grande público e, por isso, acumulando detalhes sentimentais que o mantenham fisgado, A Chave de Sarah tem mais qualidades do que defeitos. Acontecendo simultaneamente em duas épocas e engajando novos personagens a cada momento, a narrativa é envolvente. O público descobre, junto com Julia, o destino de Sarah e sua família. Não se deixa de colocar, igualmente, o clima e o contexto de um período que a França certamente preferia esquecer, mas sobre o qual o próprio presidente Jacques Chirac rompeu o silêncio, num discurso de julho de 1995.
 
Uma das razões para esta eficiência narrativa, sem dúvida, reside na interpretação ao mesmo tempo sutil e cativante de Kristin Scott Thomas, atriz inglesa que vive na França há cerca de 30 anos e fala um francês perfeito. Uma boa surpresa no elenco é o ator norte-americano Aidan Quinn, hoje uma presença mais comum em séries de TV como Canterbury Law do que nas telas, que em 1994 dividiu com Brad Pitt em Lendas da Paixão.

Neusa Barbosa


Trailer


Comente
Comentários:
  • 20/11/2011 - 12h17 - Por abel achei o filme muito bom , KRISTIN SCOTT é uma atriz maravilhosa já tinha visto aquele filme francês em que ela mata o filho. pra mim o melhor filme que fala desse momento em que a frança é ocupada e tem colaboracionismo é lacombe lucien uma obra prima do LOUIS MALLE.
  • 28/11/2011 - 18h07 - Por Neusa Barbosa Verdade, Abel:

    Kristin é uma atriz maravilhosa.

    E Lacombe Lucien é mesmo o melhor filme sobre esse período tenebroso.

    Aliás, o Louis Malle fez outro ótimo filme sobre essa época, "Adeus meninos".

    O cara era bom!

    abs

  • 12/01/2012 - 17h11 - Por Mario Viana Oi. Eu gostei imensamente da primeira metade do filme, as cenas no velódromo são de arrebentar. Depois, pra mim, a história se esgarça, parece uma novela em que não para de chegar personagem...
    Confesso q quando a menina sai de cena, o filme perde um pouco da graça, ela é deslumbrante. A Kristin é sempre sempre ótima.
    E ninguém falou na velhinha, Mamé, que é interpretada pela mesma atriz que fez Minhas Tardes com Marguerite. Uma fofa completa. (aliás, eu demorei pra entender que aquela velhinha era tia e não mãe do marido... enfim...)
  • 14/01/2012 - 11h59 - Por Neusa Barbosa oi Mário:
    concordo: a primeira parte, no Velódromo, tem uma força que o resto do filme não sustenta...
    Quando some o fio daquela história (terrível) da menina, o filme se perde um bocado. E embarca num tom meio novelão.
    Salva-se a sempre excepcional Kristin (como fala bem francês, não?).
    A Mamé eu também demorei pra entender o que era exatamente... Ela é excepcional, também.

    bj
  • 21/08/2012 - 20h46 - Por Otávio Olá, Neusa

    Concordo com o comentário do Mario e com o seu de que o filme perde demais sua força e ganha um tom novelão a medida em que se desenvolve. Pra ser sincero, as últimas cenas do filme foram tão piegas que eu senti vergonha pelo diretor. Pensei: "como o cara pode enfiar o pé na jaca desse jeito?". Eu achei, quando ela começou a buscar a Sarah e sua família, que o filme traria uma discussão de natureza ética, especificamente a questão de até que ponto é correto revirar o passado de pessoas que decidiram esquecê-lo. Enfim, paciência...

    Abraços!
Deixe seu comentário:

Imagem de segurança