Amanhã nunca mais

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Sinopse

Walter é um anestesista com alguns problemas e muita pressão em cima de si. No dia do aniversário de sua filha ele aceita a tarefa de ir buscar o bolo na casa da doceira. Mas, antes de conseguir chegar na festa irá cruzar com muitos tipos estanhos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/11/2011

O tempo é uma questão relativa em Amanhã nunca mais, drama que marca a estreia na ficção do apresentador e videomaker Tadeu Jungle.  No filme, o protagonista é o anestesista Walter (Lázaro Ramos), que está vivendo sob pressão, tanto no trabalho quanto em casa. No meio disso, tem que cumprir uma missão que parece simples, mas é entravada por uma série de obstáculos: levar um bolo de aniversário à festa de sua filha, no meio de uma São Paulo de trânsito sempre parado.
 
No hospital, os problemas abundam – faltam equipamentos de trabalho e materiais. Walter vive se desentendendo com um médico (Carlos Meceni)  e tem de aturar o colega chato (Milhem Cortaz). Em casa, a sogra (Vic Militello) também não dá folga – como na temporada de praia, quando pede para ele passar protetor solar nas costas dela enquanto sua mulher (Fernanda Machado) flerta com um desconhecido.
 
Decididamente, a vida não está fácil para Walter. Especialmente porque ele vive cercado de figuras caricatas que beiram o grotesco. Algumas delas, de vez em quando, até ultrapassam a barreira. Nenhum personagem em Amanhã nunca mais consegue ser realmente humano. São todos panelas de pressão prestes a explodir. Não se atinge, no entanto, a crítica social de, digamos, um Sergio Bianchi. São personagens insuportáveis por conta de uma espécie de prazer sádico.
 
A trama é simples e não vai além de Walter chegar em casa com o bolo inteiro. Poderia ser até um videogame – uma tarefa, vários obstáculos, ele cumpre a meta e ganha a mocinha. Os personagens não soariam estranhos no mundo do videogame, pois  sua única razão de existir (exceto da mulher do protagonista) é atrapalhar, desviar Walter de sua tarefa.
 
São tipos até bizarros que, isoladamente, causam um estranhamento. Todos juntos, quase ao mesmo tempo, têm resultado reverso. Eles anestesiam – para usar um verbo que faça uma ponte com o protagonista – o público, porque se tornam apenas um desfile de tipos esquisitos sem muita função.
 
O efeito que o diretor – que assina o roteiro com Marcelo Müller e Mauricio Arruda – pretende extrair disso é outra questão. Talvez, na visão dele, de perto ninguém seja normal, o que, fundo, pode até ser verdade. Mas em Amanhã nunca mais a lente de aumento chega perto demais dos personagens e dá dimensões gigantescas ao exotismo de cada um deles. Em outras palavras, falta um respiro ao filme. Falta um ser humano em meio ao caos estranho que é a São Paulo do longa.
 
Há, claro, licenças poéticas, por assim dizer, no trajeto do personagem, que anda por vias não tão próximas, mas que parecem se cruzar. Há também a necessidade de suspender a lógica. Afinal, por que a mulher de Walter foi encomendar um simples bolo de aniversário numa doceira tão longe da casa dela? A explicação da personagem é que em São Paulo essa era a única que fazia bolo com decoração roxa (!).
 
Lázaro é esforçado e competente, mas tem de lidar com limitações do personagem e das situações. Até a catarse final não faz muito sentido. O longa transita entre o humor negro e o drama por um caminho tortuoso, no qual joga personagens e situações no acostamento – como um motoqueiro (Luis Miranda), uma exótica conhecida de Walter (Maria Luísa Mendonça) e uma travesti (Paula Braun, que também faz uma enfermeira).
 
Ainda assim, há coisas interessantes em Amanhã nunca mais, como a sequência dos créditos iniciais e a fotografia noturna de São Paulo – assinada por Ricardo Della Rosa –, mas que se perdem no mar de referências e exageros . O longa é uma tentativa de fazer algo na linha de “Depois de horas”, do Martin Scorsese, mas para um filme assim funcionar é preciso o mínimo de empatia. O longa tem menos de 80 minutos, mas, às vezes, parece mais.

Alysson Oliveira


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