O guarda

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Nada acontece na cidadezinha litorânea e fria de Galway, onde o policial Gerry Boyle vive sua rotina e tira uma grana de alguém quando pode. Chega para atrapalhar um agente do FBI todo certinho, Wendell Everett, que tenta investigar um bando de traficantes.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/11/2011

O roteirista britânico John Michael McDonagh, que havia escrito e dirigido um curta-metragem, faz sua estreia em longas de ficção com um pequeno cult, a comédia O Guarda, estrelada por Brendan Gleeson e Don Cheadle.  
 
Mas não se espere uma comédia rasgada ou cenas de humor típicas de Loucademia de polícia. Aqui, as reações dos personagens são mais sóbrias, com um toque sutil de humor negro. A própria trilha sonora, que lembra as de faroestes italianos, mantém o clima insólito o tempo todo.
 
Rodado na Irlanda, o filme se apóia nas próprias características de seus habitantes, que parecem viver num mundo particular no qual o bizarro é sempre o outro. No caso, o único forasteiro é ator Don Cheadle, na pele de Wendell Everett, um agente do FBI. Ele chega ao povoado de Galway em busca de ajuda da polícia local para desbaratar uma quadrilha de traficantes de drogas, que está prestes a desembarcar uma grande carga de cocaína no porto local.
 
Até então, o vilarejo vive na mais completa modorra. O sargento responsável pelo posto policial, Gerry Boyle (Brendan Gleeson, de Na Mira do Chefe), não tem muito que fazer e passa as tardes no pub bebendo cerveja ou agendando saídas com garotas de programa. Sempre que possível, descola algum dinheiro com propinas e até receptação de armas para o grupo extremista IRA (Exército Republicano Irlandês). A polícia, como um todo, também participa de esquemas de corrupção. E a vida vai seguindo seu curso até o encontro de um cadáver e a chegada do agente americano.
 
Ambos começam a trabalhar juntos, apesar do desconforto do estrangeiro, que não se conforma com os esquemas irregulares do parceiro. Mas Gerry também dá suas estocadas, insinuando que os policiais americanos não são exemplos de honestidade.
 
O trio de traficantes que chega à cidade é um caso à parte. Na primeira cena em que aparecem, estão no interior de um carro discutindo literatura e filosofia. Citam Nietzsche e Bertrand Russell e até parecem inofensivos. Um deles, escalado para matar o sargento, é fã do trompetista Chet Baker e estava internado em uma instituição para doentes mentais. “Mas eu não sou psicopata, sou sociopata”, procura esclarecer.
 
Nesse ambiente insólito, no qual o principal informante da polícia é um garoto que está sempre passeando de bicicleta com seu cachorro, o agente americano é um verdadeiro peixe fora d’água. Em suas infrutíferas tentativas de interrogar os moradores, esbarra com uma dificuldade: na presença de estrangeiros, eles só falam o idioma local, o gaélico. Ele reclama e é obrigado a ouvir: “Se você quer ouvir alguém falar inglês, vá para Londres”.
 
Nem tudo é o que parece e algumas linhas que parecem soltas ao longo da história serão unidas no final que, certamente, deixará os espectadores com a pulga atrás da orelha.
 
Em tempo: o diretor John Michael McDonagh é irmão de Martin McDonagh, diretor de Na Mira do Chefe. Parecem ter uma pegada parecida no humor negro. Novato de sorte, acumulando já o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance 2011, Melhor Filme Estreante (Menção Honrosa) no Festival de Berlim 2011 e Prêmio do Público no Sarajevo Film Festival 2011. 

Luiz Vita


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