Caminho para o nada

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Um cineasta lança-se ao projeto de filmar a história de um crime. No set, começa a ficar perturbado por intrigantes coincidências - como a semelhança entre sua atriz e a personagem real do crime.


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Crítica Cineweb

09/11/2011

Verdadeiro outsider em Hollywood, o veterano cineasta Monte Hellman (Iguana – A Fera do Mar, A Vingança de um Pistoleiro) foi um dos descobridores de Quentin Tarantino ao produzir Cães de Aluguel (1992), que deslanchou sua carreira. Dezoito anos depois, como presidente do júri do Festival de Veneza em 2010, Tarantino retribuiu a gentileza inventando um segundo Leão de Ouro especial pelo conjunto de sua obra, no ano em que Hellman, nascido em 1932, participava pela primeira vez numa competição, com o experimental Caminho para o Nada – seu primeiro filme produzido em 21 anos e um trabalho tão inventivo que mesmo seu elenco confessou não tê-lo entendido, na coletiva de imprensa de Veneza.
 
Não é para menos. Em poucas palavras, Caminho para o Nada trata de uma viagem metalinguística em torno da filmagem de uma história, envolvendo um duplo suicídio. Obcecado pelo crime, um diretor, Mitchell Haven (Tygh Runyan), preocupa-se com a precisão nos mínimos detalhes, inclusive optando pelo lugar real dos acontecimentos, na Carolina do Norte, como sua locação. Ele escolhe como sua protagonista uma jovem estreante, Laurel Graham (Shannyn Sossamon, do seriado Moonlight). E ela é a cara da mulher fatal do crime real, Velma Duran.
 
A filmagem é conturbada, tanto pelas obsessões do diretor, que caminham rumo ao apagamento da fronteira entre ficção e realidade, quanto pela participação de alguns outros personagens. Caso de uma blogueira, Nathalie Post (Dominique Swain, a Lolita de Adrian Lynne) e um investigador de seguros, Bruno Brotherton (Waylon Payne), que tem uma agenda própria para ficar por perto do set de filmagens.
 
 
Que a mistura de todos os elementos do roteiro de Steven Gaydos – também jornalista da Variety - guarde semelhança com o universo de David Lynch, não será mera coincidência. Mas o diretor Hellman quer bem mais do que tocar o terreno das obsessões que movem seus personagens, cada um a seu modo. O aspecto mais interessante deste filme, com certeza, está na metalinguagem.
 
Quando Caminho para o Nada começa, os créditos correspondem ao filme dentro do filme, ou seja à produção estrelada por Laurel Graham e dirigida por Mitchell Haven –os nomes ficcionais dos atores. Na primeira sequência, a blogueira mostra ao cineasta um outro filme num computador. Ou seja, os olhares se engolem uns aos outros, em visões e versões sobrepostas dos fatos.
 
As referências cinematográficas também fazem sua aparição. Mitchell mostra a Laurel cenas de alguns de seus filmes favoritos, como O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman; O Espírito da Colmeia, de Victor Erice; e As Três Noites de Eva, de Preston Sturges. Numa fala que pode muito bem refletir um pensamento do próprio Monte Hellman, através de seu alterego Mitchell, ele comenta: “Nenhum cineasta gosta de comentar a quantos filmes assistiu, pois lhe desagrada admitir quanto tempo passou observando os sonhos dos outros”.
 
Também não falta ironia ao longo da história, como quando os produtores do filme cogitam escalar Leonardo DiCaprio e Scarlett Johansson, o que é descartado pelo esnobe Mitchell – uma nítida piada do roteiro aos meandros de Hollywood, que o alternativo Hellman conhece tão bem e sem ilusões a esta altura da vida.
 
A experiência, inclusive, garante algumas espertezas usadas para bom fim. Como o fato de que, ficando momentaneamente sem dinheiro para continuar sua filmagem, em Roma, Hellman tocou em frente, sem autorização, nem nada, com uma pequena câmera digital – que forneceu as imagens da cidade eterna, como a Fontana di Trevi e a Piazza di Spagna.
 
 
Sobre a dificuldade de compreensão de Caminho para o Nada, o próprio Hellman invocou, na coletiva de Veneza, o poeta e cineasta francês Jean Cocteau. Segundo ele, Cocteau dizia que uma obra de arte deve ser “difícil de tocar”. Por isso, precisaria ser revisitada muitas vezes, o que certamente é o que merece este seu filme criativo e poderosamente intrigante. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 10/02/2012 - 16h04 - Por roberto carvalho hoje os criticos parecem diplomatas, ficam fazendo media quando o diretor é badalado; e ai ficam cheios de eufemismo, como nesta critica, talvez por medo de dizer o que acharam de fato, quando pode aparecer dez internautas metidos a cinefilos dizendo que o critico nao entendeu nada. desce de cima do muro e diz se gostou ou não, se recomenda para quem não tem o saco do tamanho da lua

  • 10/02/2012 - 20h16 - Por Neusa Barbosa Caro Roberto:


    Não sou diplomata nem tenho medo de não gostar do trabalho de diretores badalados - e nem sei se é o caso do Monte Hellman... Talvez ele seja alternativo demais para isso.

    Também não tenho medo de críticas ao que eu escrevo de ninguém.

    Você acha que faltou eu me colocar mais se gostei ou não gostei do filme?

    Pois gostei - revi recentemente e vou ampliar este texto, inclusive para fazer justiça ao filme. Recomendo o filme,claro, daí as estrelas a ele atribuídas.

    Só não faz meu estilo ser paternalista, pegar na mão das pessoas, dizendo coisas do tipo "vai lá assistir". Em geral, não faço isso.

    Nem sei o que vc quer dizer com "saco do tamanho da lua". Vc perdeu a paciência com meu texto, é isso? Acho que aí quem ficou em cima do muro foi você...

    abs

    Neusa

  • 19/02/2012 - 12h41 - Por Thiago Nobre Dá-lhe, Neusa ! Paulada no mala, que ele merece. Abs
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