Tarde demais

Ficha técnica

  • Nome: Tarde demais
  • Nome Original: Beautiful boy
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2010
  • Gênero: Drama
  • Duração: 100 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco: Michael Sheen, Maria Bello

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Locais de filmagem


Sinopse

Pais de um jovem universitário, Bill e Kate llevam uma vida aparentemente tranquila. Mas acordam um dia com a notícia de que seu único filho matou alguns colegas a tiros e se suicidou.


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Crítica Cineweb

03/11/2011

Prêmio da Fipresci – Federação Internacional dos Críticos de Cinema – no Festival de Toronto, o drama Tarde Demais ressuscita um persistente fantasma norte-americano: o dos massacres em massa promovido por atiradores em escolas, que foi retratado em filmes vigorosos como Tiros em Columbine, de Michael Moore, Elefante, de Gus Van Sant e recentemente em We need to talk about Kevin, de Lynne Ramsay, que passou em Cannes e Londres, mas continua sem distribuidor no Brasil. Isto sem contar o dramático episódio real no Rio de Janeiro, em abril passado, na Escola Municipal Tasso da Silveira, onde morreram 12 crianças.
 
Em Tarde demais, o diretor de primeira viagem Shawn Ku, também corroteirista – ao lado de Michael Armsbruster -, aborda um ângulo diferente. Coloca em primeiro plano o dia seguinte de uma matança numa universidade, seguindo o cotidiano dos pais do assassino, o jovem Sammy (Kyle Gallner), que também se suicidou.
 
Estes pais são um casal de classe média alta, Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello), que experimentam o inferno depois do ato violento e inexplicável de seu único filho – que lhes telefonou na noite anterior aos crimes mas não emitiu sinais de alerta suficientes para os pais. Ou assim acreditam eles, a princípio. Porque logo a dúvida vai instalar-se e eles descerão degrau a degrau uma espiral de emoções desencontradas, em que sua possível culpa surgirá como uma das possibilidades.
 
Nos dias que seguem ao drama, Kate e Bill veem-se ilhados em casa, assediados por repórteres de todas as maneiras. Não podem sair nem atender ao telefone. Os carros das equipes de reportagem fecham todas as suas saídas. Na mídia, o noticiário sobre o filho ocupa todos os canais, jornais, rádios, o tempo todo.
 
Finalmente, eles escapam ao cerco numa madrugada, buscando refúgio na casa do irmão de Kate, Eric (Alan Tudyk) e sua mulher, Trish (Moon Bloodgood). Aos poucos, o casal tenta reconstituir uma vida que antes já tinha seus problemas – como o visível esfacelamento do casamento de Bill e Kate, que nada tinha a ver com Sammy.
 
Habilmente, o filme reconstitui, com precisão quase documental mas sem perder de vista a criação de uma atmosfera emotiva, todas as estações do calvário do casal – que não pode trabalhar, nem proteger-se completamente da exposição das imagens do filho nas emissoras de televisão, onde comentaristas levantam todo tipo de hipótese, inclusive as mais cruéis e absurdas em relação a sua família.
 
Outra qualidade do filme é sustentar a tensão, incorporando novas situações na luta de Bill e Kate para reencontrar uma certa normalidade, que lhes permita retomar de algum modo sua vida. Nesse sentido, a história incorpora uma visão crítica da curiosidade mórbida dos falsos pretendentes de compra da casa onde morava a família.
 
Na pele de um funcionário de hotel, o cantor Meat Loaf torna-se um dos poucos personagens capazes de demonstrar alguma compaixão por estes pais, que a histeria coletiva parece querer punir no lugar de seu filho.
 
Tarde demais revela-se um drama sóbrio, capaz de suscitar algumas questões relevantes sobre um tema polêmico, sem arriscar-se a psicologizar demais. Certas coisas na natureza humana, afinal, não têm mesmo explicação.

Neusa Barbosa


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