A condenação

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Sinopse

Mulher simples, Betty Anne Waters decide tornar-se advogada para defender o único irmão, Kenny, injustamente condenado por um assassinato.


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Crítica Cineweb

27/10/2011

Depois de oito anos, finalmente a roteirista Pamela Gray conseguiu retirar do papel A Condenação (2010), que chega com atraso ao Brasil. Em meio a um conturbado começo, que levou o estúdio Universal a dispensar o projeto em 2004, financiamentos privados contribuíram para concretizar esta história real sobre perseverança.  
 
Em 1983, Kenny Waters (Sam Rockwell) é condenado à prisão perpétua por um bárbaro assassinato em Massachusetts (EUA), do qual, segundo suas amantes, se gabava de ter cometido. No entanto, sua solidária irmã Betty Anne (Hilary Swank, vencedora do Oscar de melhor atriz por Meninos Não Choram e Menina de Ouro) está convencida de que o rapaz é inocente.    
 
Os irmãos não têm condições de pagar um advogado e o destino de Kenny estava fadado a uma cela. O amor fraterno, porém, fala mais alto e Betty, uma garçonete mãe de dois filhos pequenos, volta a estudar para prestar uma faculdade de Direito e, assim, defender seu irmão. Mesmo que para isso tenha de sacrificar a convivência com seus filhos e marido.

Como o julgamento é baseado em interpretações de namoradas de Kenny e a criminalística forense ainda patinava na análise das provas, Betty vê aí uma oportunidade de remediar o final trágico de seu irmão. Para isso, contará com a ajuda da amiga Abra Rice (Minnie Driver), muleta moral da protagonista, em um caso que se prolongou até 2002.

Trata-se, portanto, de uma história de amor e dedicação, cujo desfecho só não é mais inusitado do que os bastidores da produção. Além de passar oito anos remoendo seu roteiro, Pamela Gray levou o projeto como uma vitória pessoal, tanto que os atores principais concordaram em trabalhar com baixo orçamento.
 
Hilary Swank, que não era a primeira opção para o papel, pois substituiu Naomi Watts,  tornou-se também produtora do filme. O que deu muita dor de cabeça para a atriz, pois a família da vítima, Katharina Brow, chegou a contratar advogados para processá-la por não consultá-los na construção do roteiro. Lembrando que a moça apenas aparece morta na primeira cena do filme.
 
A própria história só foi levada à diante depois de uma reportagem do programa jornalístico de TV americano 60 Minutes, em 2002, mostrar que havia um certo frenesi dos estúdios em filmar o caso. O problema, juntamente, se centrava nos direitos, reservados para os amigos da organização não-governamental “Projeto Inocência”, que assistiu Betty na etapa final do processo.  
 
Apesar dos problemas internos, o elenco mostra solidez na pele de seus personagens. A desenvoltura de Sam Rockwell, Hilary Swank e Juliette Lewis, em participação especial, dá força à trama, que poderia descambar para o caricatural. Por essa razão, Hilary não quis conhecer sua personagem real até o começo das filmagens.

Betty Waters chegou a dizer à imprensa que o filme é muito verdadeiro, “não que toda as cenas tenham ocorrido, mas as emoções estão lá”. Esta é a razão de Pamela Gray se compenetrar tanto em seu roteiro e, no fim, conseguir a adesão de financiadores e elenco. 

O diretor Tony Goldwyn (o vilão de Ghost – Do Outro Lado da Vida) já trabalhou com a roteirista em A Walk on the Moon, ainda inédito no Brasil. Cabe a ele a responsabilidade pela fragmentação do conflito e os vícios, situações batidas, que se veem na tela. Porém, A Condenação, como história real, transcende os fatos para se tornar exemplo. Estão aí a perseverança, abnegação e foco de Betty, que continua trabalhando num bar em Massachusetts.

Rodrigo Zavala


Trailer


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