Contágio

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Voltando de uma viagem de trabalho à China, a executiva Beth Emhoff faz uma parada misteriosa em Chicago. De volta a casa, em Minneapolis, ela se sente mal e subitamente morre. É o começo da epidemia de um vírus mortal, que começa a espalhar-se nos quatro cantos do mundo.


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Crítica Cineweb

26/10/2011

Steven Soderbergh é aquele tipo de diretor que já tem tudo – Oscar (por Traffic, 2000), fama e dinheiro, especialmente por ter-se tornado um produtor com faro para sucessos de bilheteria e amizades com grandes astros, como Matt Damon, Julia Roberts e Brad Pitt, que estrelaram Onze Homens e um Segredo (2001) e suas continuações.
 
Possivelmente, foi apenas por capricho, ou, quem sabe, vontade de experimentar, que topou conduzir Contágio, seu primeiro filme-catástrofe, sobre a expansão de um vírus letal e misterioso, causando milhares de mortes, pânico e mobilização das autoridades nos quatro cantos do planeta. Porque o novo trabalho não acrescenta nada à sua carreira, exceto alguns milhões de dólares na conta, façanha que pode ser atribuída à grande esquadra de astros a bordo. 
 
O elenco consagrado e internacional é, aliás, o maior dividendo. Estão na tela o mesmo Matt Damon que já estrelou vários filmes de Soderbergh, incluído o recente O Desinformante! (2009), Laurence Fishburne (Matrix), Jude Law, Gwyneth Paltrow, a inglesa Kate Winslet e a francesa Marion Cotillard.
 
Gwyneth interpreta a executiva Beth Emhoff, que se sente mal no aeroporto de Chicago e se torna uma das primeiras vítimas do vírus, que surge também na China – onde a executiva esteve recentemente. A morte de Beth coloca em quarentena sua família, incluindo o marido, Mitch (Matt Damon), e os filhos, em Minneapolis.
Por algum motivo, Mitch é imune ao vírus, o que vai lhe dar algum destaque na história. Ele é, aliás, um dos poucos personagens a ganhar um pouco mais de tempo na tela, além dos médicos e autoridades que tentam combater o vírus.
 
O fato de que sejam estes personagens, e não propriamente as vítimas e suas famílias, que ocupem muito da história, não raro com providências burocráticas, é, aliás, um dos problemas do filme para gerar empatia com o público.
 
Em todo caso, desperta simpatia a especialista médica Erin Mears (Kate Winslet), que viaja aos locais de incidência, a mando de seu chefe, Ellis Cheever (Laurence Fishburne), sugerindo medidas de contenção. A carismática Marion Cotillard (vencedora do Oscar de melhor atriz por Piaf) não tem a mesma sorte, sendo pouco vista como Leonora Orantes, uma especialista da Organização Mundial de Saúde.
 
Embora a história – surgida do argumento e roteiro do produtor Scott Z. Burns – já tenha claramente um supervilão neste vírus rápido e mortal, também conta com um personagem dúbio na figura do jornalista e blogueiro Alan Krumwiede (Jude Law). Enfeiado por uma prótese dentária e assumindo um sotaque estranho, ele ganha notoriedade com teorias da conspiração, ganhando milhões de leitores em seu blog, em que sugere medidas como a medicina natural para controlar a epidemia.
 
Sem dúvida, a qualidade técnica da produção é notável. Soderbergh procura o realismo nas imagens, não recuando diante de algumas imagens capazes de revolver alguns estômagos – inclusive uma autópsia, mostrada com riqueza de detalhes. Telas de computadores, gráficos, tabelas, imagens de deslocamento de tropas militares, contribuem para a criação de um clima de neurose coletiva.
 

Apesar disso, o filme soa estranhamente frio. Uma das razões é a falta de heróis por quem torcer – até um dos médicos que mobilizava a simpatia morre no meio do caminho. Matt Damon, que cumpre o papel na primeira metade do filme, some um bom tempo e só volta no final. Soderbergh preferiu manter o protagonismo da história no medo e no caos e nem assim revela convicção suficiente. Parece ter dirigido no piloto automático.

Neusa Barbosa


Trailer


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