Matrix

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Aproveitando a honra de ter sido o vice-campeão do Oscar, com quatro prêmios conquistados (som, efeitos visuais, montagem e edição de efeitos sonoros) volta ao cartaz a ficção científica Matrix, um sofisticado compromisso entre a mitologia e a última geração de efeitos especiais estrelado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne.

Nos EUA, o filme foi um fenômeno de bilheteria nos cinemas, uma popularidade que continuou com seu lançamento em DVD, formato em que vendeu mais exemplares do que o megasucesso Titanic. Um desempenho impressionante tendo-se em vista que os diretores, na época do lançamento, eram praticamente desconhecidos: os irmãos Andy e Larry Wachowski, que antes só tinham a seu crédito o roteiro e direção do suspense erótico Ligadas pelo Desejo (com Jennifer Tilly e Gina Gershon). Daí em diante, toda a Hollywood acompanha atentamente cada passo desta dupla de diretores, nerds assumidos com um pé na tradição da mitologia clássica e das técnicas cinematográficas de luta que fizeram a fama de Hong Kong, um currículo que deve lhes valer nos próximos dois capítulos de Matrix, já em produção.

O roteiro aqui corteja os fissurados na Internet mas é sofisticado o suficiente para seduzir outros públicos. O ponto de partida é um analista de sistemas, Thomas Anderson (Keanu Reeves), insatisfeito com sua vidinha, que comercia programas clandestinos fora do expediente. Anderson, que prefere o apelido de Neo, não consegue livrar-se da sensação de estranheza no mundo urbano do século XX. Esse mal-estar da civilização logo mostra que é mais do que um pressentimento.

Neo vai descobrir que toda a realidade em que vive não passa de uma ilusão e nisso não entra uma gota de paranóia. Na verdade, tudo o que os olhos vêem é apenas uma sofisticada aparência virtual, produzida por computadores que estão no controle do planeta. Essa aparência tem até nome: Matrix.

Como convém a uma história que empresta elementos da mitologia, Neo tem um mentor, Morpheus (Laurence Fishburne), líder de uma célula rebelde que procura devolver aos humanos o domínio da Terra. Na seqüência, entra na história também um oráculo, que prediz que Neo é o Escolhido, ou seja, aquele que veio para libertar a humanidade do jugo das máquinas. Estas têm a seu serviço agentes capazes de metamorfoses incríveis, como Smith (o australiano Hugo Weaving, de Priscilla, A Rainha do Deserto).

Como todo herói mitológico que se preza, Neo terá dúvidas e hesitações sem conta, e uma princesa alerta e apaixonada sempre por perto, o que é providencial, pois trata-se da escultural e exímia lutadora Trinity (a ex-modelo Carrie-Anne Moss).

Os efeitos visuais da companhia californiana Manex e a cuidadosa supervisão das lutas pelo especialista chinês Yuen Wo Ping (cujo pai trabalhou com Jackie Chan) tornam os combates vistos na tela realmente memoráveis. Os lutadores são vistos andando pelas paredes e pelo teto, girando o corpo em 360 graus e voando mais rápido do que balas de revólver. Obra e graça, também, de um intensivo treinamento em kung fu realizado com todo o elenco e supervisionado por Wo Ping.

Com uma moldura tão boa, é fácil entender o sucesso de Matrix. Afinal, ninguém precisa de muito esforço para acreditar que Keanu Reeves é geneticamente perfeito. O ator, aos 34 anos, exibe uma beleza serena e resistente ao tempo. Apesar da inescondível limitação de seus recursos dramáticos, eles bastam para dar vida ao herói do filme, que funciona como uma engrenagem bem ajustada.

Neusa Barbosa


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