O filme dos espíritos

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Sinopse

Depois de perder a mulher, jovem professor de psiquiatria fica transtornado. Quando tenta se matar, um estranho lhe dá “O livro dos espíritos”. A descoberta do espiritismo e da caridade muda a sua vida.


Nota Cineweb

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Galeria de fotos

  • Riacho Doce, minissérie de 1990
  • Os Fuzis
  • As mães de Chico Xavier
  • As mães de Chico Xavier
  • Com Milton Gonçalves em
  • Com Tânia Alves na minissérie

Crítica Cineweb

06/10/2011

Ao contrário do que sugere seu título, O filme dos espíritos não é bem um filme – é um longo vídeo institucional de conversão que, por conta das altas doses de pregação e catequisação, é praticamente incapaz de dialogar com quem não é adepto do espiritismo. É inspirado no Livro dos Espíritos, publicado no século XIX por um educador francês que assinava com o pseudônimo de Allan Kardec. O livro, o mais famoso da doutrina, leitura básica para qualquer adepto, serve apenas como uma desculpa.
Ao longo dos mais ou menos 100 minutos, vidas se transformam, personagens se convertem e outros morrem. Mas, ao contrário de Nosso Lar e As mães de Chico Xavier, O filme dos espíritos não mostra a vida após a morte e se concentra em quem fica, na transformação de alguns personagens em contato com a doutrina espírita e a Fundação Espírita André Luiz (FEAL) – à qual a empresa que produz o filme, Mundo Maior, está ligada.
Se por um lado o jogo está praticamente ganho – é bem provável que a maior parte dos praticantes do espiritismo vai ver o filme – por outro, os diretores André Marouço e Michel Dubret tem a árdua tarefa que levar ao cinema os não-adeptos. No ano passado, Nosso Lar e Chico Xavier despertaram o interesse por seu conteúdo místico e efeitos especiais, e uma figura famosa, respectivamente, há alguns meses, As mães de Chico Xavier não conseguiu o mesmo feito com histórias fracas e produção e interpretação de nível duvidoso.
Em O filme dos espíritos, cujo roteiro é assinado por Marouço, a figura de Chico Xavier aparece apenas de forma subliminar com a presença do ator Nelson Xavier no elenco. Ele já interpretou o médium duas vezes, e aqui faz um professor de psiquiatria que atualmente trabalha na FEAL, e é procurado por seu ex-aluno, Bruno (Reinaldo Rodrigues), que perdeu a mulher há pouco e não superou esse trauma. O professor está doente, e pensa em preparar o rapaz como seu sucessor – mas como este não é adepto do espiritismo, precisará mostrar a ele toda a doutrina.
O trabalho não será difícil, porque Bruno recebeu de um gari O livro dos espíritos no momento em que tentava se atirar numa ponte em São Paulo. É o clichê do clichê dizer que sua vida muda – mas, enfim, muda.
Um dos problemas de “O filme dos espíritos” é a sua vontade de ser abrangente, criando dezenas de personagens sem muita função dramática ou com histórias mal delineadas, como é o caso de uma jovem (Alethea Miranda), cuja mãe (Sandra Corveloni) está doente, e acabará se envolvendo com Bruno, ou o agente funerário-médium (Flávio Barollo) e seu maquiador (Warley Santana), que, no fundo, parecem servir de alivio cômico – mas não conseguem ser mais engraçados (ao menos voluntariamente) do que a participação da apresentadora Luciana Gimenez, como uma caiçara, usando uma peruca de cabelos grisalhos.
Como em As mães de Chico Xavier, o aborto é um ponto nevrálgico do filme que não abre espaço para muita discussão sobre o tema. Na verdade, não abre espaço para discussão sobre tema alguma, apenas traz à tona um punhado de ideias, umas cenas na França e outras no nordeste do Brasil – ambas no passado – sem muita necessidade dramática ou cinematográfica, tudo numa embalagem não muito bem cuidada, coberta por uma trilha sonora incessante e de ares new age, assinada pelo músico Corciolli que tem em sua discografia trabalhos como “Relaxing your dog” e “Unio Mystica”.
Com sua ingenuidade e excesso de boa vontade, O filme dos espíritos é um degrau abaixo na escala evolutiva do gênero espírita – sim, no Brasil, se tornou um gênero a parte. Não apenas repete os erros de seus antecessores – excesso de panfletagem, tentativa de conversão– mas também exige paciência de seu público, sem nunca dar algo em troca.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 24/10/2011 - 18h46 - Por Jan Olha, sou espírita e o crítico está coberto de razão. Quando o Diretor começa a querer doutrinar demais, e esquece que tem gente querendo ver cinema também, não sai coisa boa. O elenco até que não era ruim, mas um bom roteiro e uma boa direção são tudo num filme.
    Imagine se fizerem um filme de Há 2 Mil Anos ou Paulo e Estêvão, obras de Chico Xavier, no mínimo teriam que chamar o Daniel Filho pra não aumentar o estrago.
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