Borboletas negras

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País


Sinopse

Vivendo sempre uma relação difícil com o pai, um parlamentar pró-apartheid, a poetisa sul-africana Ingrid Jonker oscilou entre seus amores e problemas psicológicos, que não impediram a realização de uma obra de grande valor.


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Crítica Cineweb

22/09/2011

Borboletas Negras, dirigido pela holandesa Paula Van der Oest (Zus & Zo), não consegue fugir dos estereótipos e fica no meio do caminho ao contar a vida da poeta sul-africana Ingrid Jonker, que se suicidou em 1965, aos 31 anos, mas deixou uma rica obra poética, citada pelo presidente Nelson Mandela em seu discurso de abertura do primeiro parlamento democrático da África do Sul, pós-apartheid.
 
Separada do marido, com quem teve uma filha, Ingrid (Carice van Hounten, de A espiã) foi criada pelo pai após a morte da mãe e dos avós. E é na figura repressiva e nada amorosa do patriarca que Ingrid enfrentará o choque da rejeição. Criada numa casa destinada aos empregados negros da propriedade, Ingrid desde cedo buscou o reconhecimento e a admiração do pai, um político do partido governista e membro da comissão de censura do país.
 
A miséria humana que a África do Sul vivia em pleno século XX, com um regime racista condenado pela comunidade internacional, se refletia na própria família da jovem poeta, cuja sensibilidade se chocava com a arrogância e o reacionarismo político do pai, Abraham Jonker, interpretado por Rutger Hauer . O filme não conta, mas em um discurso na câmara de deputados, ele renegou a própria filha.
 
Difícil para um homem conservador e defensor do regime aceitar que a filha abrisse sua vida de forma tão pública como fazia em seus poemas. Seus versos falam de sexo, de amor e erguem a voz contra o apartheid.
 
Figura importante na vida da atormentada poeta foi o escritor Jack Cope (Liam Cunningham), com quem manteve um atribulado relacionamento. Foi ele quem, após a morte dela, cuidou de seu legado literário e se empenhou para que sua obra ganhasse maior projeção.
 
É uma pena que o filme não lance mais luz sobre a vida de Ingrid, limitando-se ao seu inferno pessoal no relacionamento com o pai. Também falta aprofundar o personagem de Rutger Hauer, apresentado de forma muito rasa. Na vida real, o dublê de escritor, político e censor foi uma figura ainda mais repugnante.
 
Pena também que a obra da poeta não tenha sido traduzida para o português, pois sua potência, que podemos apreciar na leitura que a personagem faz de alguns poemas, é mesmo impressionante.

Luiz Vita


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