Missão Madrinha de Casamento

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Sinopse

Quando Annie começa a ajudar sua melhor amiga a planejar seu casamento, elas nem desconfiam que a amizade ficará em risco por conta da invejosa Helen, também madrinha, e mulher do chefe do marido da noiva.


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Crítica Cineweb

22/09/2011

Eis que o namorado de Lilian (Maya Rudolph), Dougie (Tim Heidecker), a pede em casamento. Foi tão inesperado que ela, na verdade, achava que ele queria terminar tudo. Na verdade, ele só estava criando coragem para fazer a pergunta que ela tanto queria ouvir – e responder sim. Claro que a melhor amiga da noiva, Annie (a comediante Kristen Wiig), vai ser a principal madrinha de casamento, uma espécie de dama de honra. Mas, até o final da comédia “Missão Madrinha de Casamento”, como alguém menciona no filme, ela se tornará a dama de desonra.
 
Com roteiro escrito por Kristen Wiig (que em seu currículo tem o humorístico da TV “Saturday Night Live”) e Annie Mumolo (de uma trupe de comediantes de Los Angeles), o filme poderia ser uma resposta feminina ao universo masculino e misógino de Se beber, não case, não só indo além de humor grosseiro como também superando a sacarose das comédias românticas. A questão é que “Missão Madrinha de Casamento” é uma das melhores comédias de Hollywood em muito tempo.
 
Por trás das gargalhadas, há um comentário sério sobre a indústria do cerimonial de casamento que se torna cada vez mais lucrativa em boa parte do mundo. Como a própria Annie percebe, o casamento de Lilian toma proporções que talvez nem a noiva quisesse – tudo por conta da megalomaníaca Helen (Rose Byrne), mulher do patrão de Dougie, que toma as rédeas da produção da cerimônia – e rouba o posto de Annie como melhor amiga da noiva.
 
O que há de mais subversivo nessa comédia, é que, ao contrário da maioria dos filmes sobre casamento, as personagens femininas não estão em segundo plano, não são o detalhe, o degrau para que os noivos e seus amigos sejam os protagonistas, os caras engraçados. Aqui, os homens são mero acessório – quase uma desculpa. O filme é delas.
 
Kristen e Maya mostram que são capazes de transitar até por um humor beirando o escatológico – como algumas cenas de vômito e desinteria, depois de um almoço num restaurante brasileiro. É bom esclarecer antes que alguém reclame: o garçom do estabelecimento fala espanhol, mas isso não é desinformação do filme, na verdade é um detalhe que comprova o quanto é ruim este estabelecimento.
 
Além de Annie e Helen, o time das madrinhas é formado por Rita (Wendi McLendon-Covey), que já perdeu a paixão pelo marido e vive infernizada pelos filhos; Becca (Ellie Kemper), recém-casada e meio infantilizada, tanto que sua lua-de-mel foi na Disney; e Megan (Melissa McCarthy), irmã de Dougie. Cada uma delas é engraçada e bastante humana à sua maneira. O filme dá-se ao trabalho de delinear um perfil de cada uma delas, sem cair em estereótipos rasos ou justificativas para comportamentos. Elas são assim porque a vida as tornou assim. Juntas, elas riem, choram, brigam e acertam as diferenças – quase igual aos rapazes de Se beber, não case, só que procurar aventuras sexuais é o que menos importa aqui.
 
Se há um filme com que Missão Madrinha de Casamento dialoga bem é com “Meninas Malvadas”, que, não por acaso, foi roteirizado por Tina Fey, que, tal como Kristen, faz parte do elenco do “Saturday Night Live”, procurando o mesmo tipo de humor desse programa – escrachado, ácido, sagaz. É como se as madrinhas dissessem às meninas: nós somos vocês amanhã. Existe aquela mesma competição interna pela atenção, por se tornar popular e, quando isso acontece, claro, abandona-se os valores morais e éticos que sempre fizeram parte de suas vidas. No fundo, os dois filmes se resumem a isso: ir ao fundo do poço para se redescobrir novamente.
 
Embora um casamento seja esperado como o clímax do filme, Missão madrinha de casamento vai corajosamente contra o padrão vigente de Hollywood no qual a mulher só pode ser feliz depois de se casar de véu e grinalda. O fato de Annie ser solteira não é causa dos seus problemas, nem tampouco o seu maior problema. A solteirice da protagonista é apenas um estado transitório – assim como ser madrinha de casamento.

Alysson Oliveira


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