Diário de uma busca

Ficha técnica

  • Nome: Diário de uma busca
  • Nome Original: Diário de uma busca
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2010
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 104 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Flávia Castro
  • Elenco:

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Sinopse

A partir da morte misteriosa do pai, o ex-jornalista e militante político Celso Gay de Castro, a diretora Flávia Castro reconstitui a biogafia dele e a sua própria, remontando as peças de uma infância atípica, passada no exílio, entre o Chile, a Argentina e a França.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

25/08/2011

Documentário de estreia da diretora gaúcha Flávia Castro, Diário de uma busca revela-se uma dura reconstrução da identidade de uma família que, por sua própria natureza, termina desvendando fragmentos importantes do período de ditaduras recentes no Brasil, Chile e Argentina, entre as décadas de 60 e 70.
 
O personagem buscado no filme é o pai de Flávia, o ex-jornalista e militante político Celso Afonso Gay de Castro (1943-1984), cuja morte misteriosa, em Porto Alegre, há anos intriga a família. Segundo a versão da polícia, Celso e um amigo, Nelson Heredia, invadiram o apartamento de um ex-cônsul do Paraguai, o alemão Rudolf Goldbeck, e teriam se suicidado quando o imóvel foi cercado pelos policiais, em outubro de 1984.
 
Nunca se soube com certeza o que Celso e o amigo foram fazer no apartamento, cujo dono, posteriormente, foi alvo de suspeitas de um passado nazista, nunca devidamente aclaradas.
 
A diretora, que deu início a este projeto em 2002, lança-se a um reexame da própria infância e do irmão menor, João Paulo, certamente atípica. Filhos dos militantes Celso e Sandra, que se opunham à ditadura militar instalada no Brasil em 1964, as crianças cresceram no exílio, primeiro no Chile, depois na Argentina, finalmente, na França.
 
Como a pequena protagonista de um filme de ficção, A culpa é do Fidel, de Julie Gavras, os garotos conheciam por dentro a rotina da clandestinidade. Viviam em apartamentos onde era constante a entrada e saída de pessoas, que vinham para reuniões políticas. As próprias crianças eram orientadas a usar nomes falsos, que não revelavam nem aos amigos da escola.
 
Em conversas com a mãe e o irmão, a diretora revela uma notável coragem para investigar a fundo essa intimidade da família, que aos poucos contribui para criar um eloquente testemunho da vida naqueles tempos conturbados. Igualmente esclarecedores são os depoimentos de colegas de militância de Celso de Castro, como o assessor internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia.
 
Os depoimentos mais intrigantes, no entanto, estão nas entrevistas de um médico legista e de policiais que lidaram com o caso. O legista aponta para a improbabilidade na tese do suicídio de Celso, como concluído no inquérito policial. No segundo caso, há divergências. Um policial lembra claramente de ter visto fardas nazistas, “inclusive da Gestapo”, na casa de Goldbeck. Já o delegado encarregado do inquérito na época demonstra uma falta de memória tão completa sobre um caso tão rumoroso que fica no ar a sensação de algum tipo de acobertamento.
 
Diário de uma busca, certamente, não encerra a investigação que promove, o que de modo algum o enfraquece. É um documentário na primeira pessoa, mas que escapa às limitações do mero diário íntimo ao relacionar a sua história a muitas outras. O filme foi premiado em diversos festivais em 2010, como Gramado (prêmio da crítica), do Rio (melhor documentário e prêmio da Fipresci, Federação Internacional dos Críticos), Biarritz (melhor documentário) e, em 2011, Punta del Este (melhor filme).

Neusa Barbosa


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