Jazz Visto

Ficha tcnica

  • Nome: Jazz Visto
  • Nome Original: Jazz Seen
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produo: 2001
  • Gnero: Documentário
  • Durao: 81 min
  • Classificao: Livre
  • Direo: Julian Benedikt
  • Elenco:

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24/02/2003

O músico Shorty Rogers (1922-1994) tinha uma frase para caracterizar o trabalho do fotógrafo William Claxton: "Quando eu terminava um solo e abria os olhos, a primeira coisa que via era o o Bill fotografando em minha volta". Para os grandes músicos de jazz americanos dos últimos 50 anos, a câmera fotográfica de William Claxton sempre foi considerada um instrumento adicional de suas bandas. Acompanhando personalidades do porte de Miles Davis, Duke Ellington, Chet Baker, Ella Fitzgerald e chegando aos modernos Winton Marsalis e Cassandra Wilson, Claxton virou um apêndice crucial do jazz. Suas lentes captaram a alma dos maiores gênios da música americana em seu sublime estado de elevação, durante gravações ou shows, e ainda ilustraram capas de discos memoráveis.

A vida e obra desse extraordinário repórter-fotográfico, como gosta de ser chamado, é retratada de forma emocionante pelo diretor alemão Julian Benedikt no documentário Jazz Visto, exibido no É Tudo Verdade de 2002. Benedikt usou trechos de apresentações de Duke Ellington, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e entrevistas com o próprio Claxton, músicos e fotógrafos para compor a imagem do artista. Algumas passagens de sua biografia foram recriadas com a ajuda de atores, tornando ainda mais simpático e irresistível o personagem. O ator Dennis Hopper, um dos entrevistados, afirmou que as fotografias de Claxton tornaram os night clubs melhores do que eram na realidade.

William foi um garoto muito doente, criado pela mãe na Califórnia. Seu passatempo, já que não podia sair da cama, era recortar e colar num álbum as fotos de grandes nomes do jazz, como Duke Ellington e Lena Horne. "Um dia eles vão tocar no meu clube", dizia à mãe.

Felizmente as previsões médicas não se concretizaram e o jovem entrou para a faculdade de Psicologia. À noite freqüentava os clubes de jazz e passou a fotografar os músicos como hobby. Ele levava uma obsoleta câmera 4 x 5 Speed Graphic, com imensas lâmpadas de flash, e se esgueirava entre as mesas procurando o melhor ângulo. Os amigos o gozavam dizendo que ele parecia um fotógrafo da polícia na cena de um crime.

Em 1952, fotografando em Los Angeles uma apresentação do quarteto de Gerry Mulligan, com a participação de Chet Baker, conheceu Dick Bock, que gravava o show para o selo Pacific Jazz. Dessa amizade nasceu uma parceria que mudaria a vida do jovem fotógrafo. William passou a fotografar os músicos e criar um novo conceito para as capas de disco da gravadora, que identificava o jazz californiano conhecido como West Coast. São famosas suas capas com músicos posando em ambientações ao ar livre, como praias, montanhas, em cima de árvores e até mesmo no velho Oeste (Sonny Rollins que o diga, numa hilariante fotografia tirada no deserto). William também captou a aura sensual do jovem Chet Baker numa famosa série de fotos realçando o modelo ao lado de belas mulheres.

O jovem fotógrafo tinha seu estilo de trabalho e conseguia fazer parte do cenário durante as sessões de gravações que acompanhava, sempre com filme preto-e-branco. Antes, conversava com os músicos para que se sentissem à vontade e aceitassem sua presença. Seu interesse era flagrar as emoções estampadas no rosto e no corpo de seus modelos, permanecendo imóvel até conseguir a melhor expressão, como demonstram as fotos ao lado. Casado há mais de 40 anos com a modelo Peggy Moffit, suas fotos de moda, no mundo psicodélico dos anos 60, fizeram muito sucesso.

Ainda hoje, William Claxton continua em plena atividade. Mesmo com seu trabalho muito valorizado, é capaz de abrir mão da remuneração quando acredita no talento do artista que está fotografando. Em 1990, o jovem saxofonista canadense Dan St. Marseille pediu-lhe que o fotografasse para a capa de seu primeiro CD. Sem dinheiro, prometeu que pagaria quando ficasse "rico e famoso". O fotógrafo gostou tanto da música do rapaz que concordou em cobrar apenas pelo material utilizado. Marseille ainda não ficou rico nem famoso, mas homenageou o mago das imagens com uma música intitulada Claxography.

Cineweb-19/4/2002

Luiz Vita


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Imagem de segurana