Lola (2009)

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País


Sinopse

Nas ruas de Manila, a vida de duas mulheres se cruzam quando o neto de uma delas é acusado de assassinar o neto da outra. São duas avós tentando conseguir dinheiro: uma quer enterrar o neto, a outra, salvar o seu da cadeia.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/07/2011

 “O filme é um tributo às avós de todo o mundo”. Foi assim que o filipino Brillante Mendoza definiu em entrevista ao Cineweb, em São Paulo, seu novo longa Lola. Na trama, as vidas de duas avós se cruzam nas ruas de Manila por conta de um crime: o neto de uma delas é acusado de matar o da outra para roubar um celular. Lola significa avó em tagalo, língua falada por cerca de um terço da população filipina. 
 
Sepa (Anita Linda) tenta conseguir dinheiro para fazer o enterro do neto, enquanto Puring (Rustica Carpio) cuida do seu na cadeia, levando comida e procurando uma forma de livrar o rapaz da pena. Pelas ruas chuvosas de Manila, essas duas mulheres são o retrato da determinação e da força. Problemas de saúde não são impedimento para se manterem firmes em seus propósitos. Ambas são donas de suas razões.
 
A narrativa entrecorta as duas histórias. Assim, acontecimentos na vida de uma das avós ecoam na vida da outra. Num primeiro momento, claro, há uma hostilidade entre elas. Aos poucos, percebe-se que a luta de ambas é pela dignidade de seus netos. O filme as acompanha com uma meticulosidade quase documental, seguindo de perto a trajetória dessas duas senhoras pelas ruas abarrotadas de gente e água, na estação chuvosa das Filipinas, em junho.
 
Em sua passagem por São Paulo, depois de uma visita a São Luís (MA), onde Lola abriu o I Festival Internacional Lume de Cinema, Mendoza comemorou sua estreia - a primeira de um filme seu no circuito comercial brasileiro, apesar de sua filmografia ter obras premiadas, como Kinatay, que lhe rendeu o prêmio de direção em Cannes em 2009. “Meus filmes são pouco comerciais. Nem no meu país eles são lançados em cinema. Lola foi exibido apenas em algumas universidades das Filipinas. O público de lá se interessa apenas por blockbusters, filmes cheios de efeitos e vindos de Hollywood”, comenta.
 
 Até para filmar, Mendoza conta que enfrenta dificuldades. Só conseguiu dinheiro para fazer Lola depois de premiado em Cannes. “Tentamos fazer o longa por dois anos, mas não conseguíamos dinheiro. No fim, essa demora foi positiva, pois tive mais tempo para elaborar. Eu queria falar da vida das pessoas idosas, pouco vistas na sociedade”. As filmagens, como é marca registrada do diretor, duraram apenas dez dias.
 
As duas atrizes são bastante conhecidas e respeitadas nas Filipinas. Anita, por exemplo, tem em seu currículo mais de 200 filmes. No entanto, foi preciso um pouco de esforço de Mendoza para convencê-las a trabalhar num filme pequeno e independente – mas ele não abria mão da dupla. “Foi muito nobre da parte delas aceitar participar de Lola. Sei que não foi fácil, física e emocionalmente, fazer esse trabalho. Filmamos na época das chuvas e os personagens são densos, muitas vezes penosos de se interpretar. Sou grato pela generosidade delas”.
 
De São Paulo às Filipinas
 
Mendoza acaba de filmar Prey, com a francesa Isabelle Huppert, e São Paulo teve um papel especial para ele nessa produção. Foi na cidade que o diretor e a atriz se conheceram, em setembro de 2009, quando ele participava do Festival Indie, e ela apresentava uma peça e uma mostra de filmes. “É interessante voltar a São Paulo dois anos depois e pensar que o filme está concretizado. Não foi fácil convencer Isabelle a trabalhar no filme. Fizemos várias negociações com seu agente. Ela é uma atriz famosa e cara”. Ele conta que “Prey” está em processo de montagem e deve ser exibido em breve em algum festival internacional.
 
O longa é inspirado na história de Gracia Burnham, missionária norte-americana que, em 2001, foi feita refém de um grupo terrorista nas Filipinas, liderado por Abu Sayyaf. Mendoza explica que seu longa não é especificamente a história dessa mulher e de seu marido, que morreu durante uma tentativa de resgate. “Fizemos uma pesquisa bastante intensa, não nos baseamos no livro de memórias de Gracia, pois muitas coisas não estavam claras ali”. O diretor, que assina o roteiro com Boots Agbayani Pastor (que foi seu parceiro em filmes como Serbis), conversou com outras vítimas do grupo, militares e até terroristas.
 
Segundo o diretor, o assunto ainda é bastante controverso em seu país, tanto que muitas pessoas do governo e militares não quiseram participar das entrevistas. “Boa parte do que aconteceu saiu na imprensa, até na televisão estrangeira. Não havia novidades, nem algo a esconder, creio. Mas mesmo assim, eles preferiam não falar com a gente.”
 
Isabelle faz o papel de uma das turistas sequestradas e, segundo o diretor, foi preciso um certo tato, ao menos no começo, para lidar com a atriz. “Ela é muito focada, queria um roteiro pronto, não queria que as coisas mudassem a toda hora. E o meu método é esse, tudo muda o tempo todo. Não gosto de roteiro, prefiro que os atores criem seus diálogos, e dou apenas instruções sobre como será a cena. No começo, ela estranhou isso, mas com o tempo, começamos a nos dar muito bem”.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 25/07/2011 - 01h01 - Por Mário Viana O filme é mesmo envolvente. Durante boa parte dele, eu só lembrava da Imelda Marcos e seus milhares e luxuosos pares de sapatos - e comparava com a vida daquelas velhas...

    E a língua, que loucura... mistura dialeto com espanhol e inglês...

    belo filme, tô recomendando pra todo mundo!
  • 25/07/2011 - 17h45 - Por Neusa Barbosa oi Mário:
    este filme é um primor de sutileza e sensibilidade. E essas duas veteraníssimas atrizes carregam a gente pra dentro da história.
    bjs
  • 30/10/2011 - 18h58 - Por Ana Paula Vi hoje em DVD e fiquei impressionada: as atrizes e todos os demais atores são tão bons, que o filme parece documentário. Impressionantemente realista.
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