A falta que nos move

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Sinopse

Cinco pessoas estão reunidas numa casa preparando um jantar. E esperam por um convidado que ninguém sabe quem é, ou se virá. Filme experimental de Christiane Jatahy, diretora de teatro que faz sua estreia no cinema.


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Crítica Cineweb

29/06/2011

Conhecida diretora de teatro carioca, Christiane Jatahy estreia no cinema com A falta que nos move. O roteiro é adaptado da peça A Falta Que Nos Move ou Todas as Histórias São Ficção, que ela escreveu e dirigiu no teatro em 2005.
 
A concepção do longa, no fundo, acaba se sobrepondo ao resultado final e, de certa forma, a ideia é mais interessante do que a realização. “A falta que nos move” mistura cinema, teatro e “Big Brother”, sem a chance, porém, de eliminar os participantes ao longo do programa. No filme, há um pouco de tudo o que fez do reality show televisivo um sucesso: intriga, brigas, romance, sexo, e, o que sempre diverte, lavagem de roupa suja na frente das câmeras. A fotografia, assinada pelo renomado Walter Carvalho (Budapeste), alivia a sensação de claustrofobia de um filme que se passa num único ambiente.
 
Os atores ficaram confinados a uma bela casa com vista para a cidade do Rio de Janeiro durante cerca de doze horas. Nesse período, seguiram uma série de regras, como serem dirigidos por mensagens de texto. Cada um possuía um roteiro, mas desconhecia o roteiro do colega. Assim, inventaram algumas histórias, outras fazem parte de suas próprias vidas. Essas imposições, assim como a câmera que treme de vez em quando, faz lembrar os filmes do Dogma 95, mas sem a mesma força daqueles feitos pelos dinamarqueses, como Lars von Trier (Os idiotas) e Thomas Vinterberg (Festa de Família).
 
Os atores, como todo participante de reality show que se preze, têm um perfil definido. Seus personagens têm o mesmo nome dos atores, detalhe que, por isso mesmo, induz a pensar que sejam eles mesmos. Mas será que são? O que vemos é atuação? Atores se passando por personagens que são atores dentro de um filme? De pouco se tem certeza. Em todo caso, eles são: Kiko Mascarenhas, o mandão; Pedro Brício, o rebelde; Marina Vianna, a conciliadora; Daniela Fortes, a romântica; e Cristina Amadeo, a confusa.
 
Esses perfis ficam bem delineados ao longo do filme, e os atores – ou porque realmente se encaixem neles, ou por instruções de seus roteiros – mantém-se firmes, colocando em cena, cada vez mais, características dessas personalidades. Mágoas do passado e do presente vêm à tona, e as desavenças se tornam inevitáveis ao longo dessa noite em que cozinham para um convidado misterioso que deve chegar a qualquer momento. Talvez esse ‘convidado’ sejamos nós mesmos, o público que os observa meio voyeuristicamente.
 
A falta que nos move se esforça, e consegue em boa parte do tempo, fugir do teatralismo que poderia impregnar o filme. Muito dessa fuga vem da fotografia de Carvalho e da câmera – dividida por seu filho, Lula Carvalho, e David Pacheco, Guga Mille e João Atala –, que busca saídas cinematográficas para os limites físicos do teatro. Deste, Christiane pega emprestado o texto, o uso do espaço, entre outras coisas.
 
De certa forma, o longa faz lembrar Moscou, documentário híbrido de Eduardo Coutinho que tinha também o teatro em sua veia. Aqui, porém, a proposta, o questionamento e o resultado são outros. Em todo caso, como Moscou, destina-se a públicos mais específicos, interessados na discussão sobre os limites da representação.

Alysson Oliveira


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