Potiche - Esposa Troféu

Potiche - Esposa Troféu

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Sinopse

Suzanne Pujol é madame e sbmissa, dedicada ao lar, deixando para o marido, Robert, a administração da empresa que ela herdou do pai. Um dia, uma greve causa um enfarte em Robert. E madame descobre talentos que nem imaginava na administração - e tem um reencontro com um antigo amor.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/06/2011

Em Potiche – Esposa Troféu, François Ozon retoma, como em 8 mulheres (2002), um filme de gênero e de época, embaralhando clichês de melodrama e comédia de boulevard, além de contar com um elenco estelar e afiado – Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Jéremie Renier e Karin Viard.
 
Não se trata de um roteiro original e sim da adaptação (do próprio Ozon) de uma peça com o mesmo nome, de autoria de Pierre Barillet & Jean-Pierre Grédy, que lida com um formidável arsenal de temas relevantes, especialmente o sexismo, a hipocrisia de costumes e as semelhanças e diferenças entre direita e esquerda.
 
La Deneuve interpreta uma rica burguesa, Suzanne Pujol, uma rainha do lar um tanto fútil e submissa que sai de sua rotina ao assumir a direção de sua empresa de guarda-chuvas, herdada de seu pai mas dirigida com mão de ferro por seu marido, Robert (Fabrice Luchini). Essa troca de comando acontece no meio de uma greve, que provoca uma crise cardíaca no marido, logo depois de ser mantido refém pelos grevistas.
 
A reviravolta permite não só que Potiche – Esposa Troféu inclua uma série de comentários irônicos sobre a política. O fato é que, com o marido de escanteio, Suzanne desabrocha. Se suas primeiras intervenções nas reuniões com os funcionários parecem dar razão às costumeiras piadas sobre a inteligência das loiras, logo ela revela um inesperado instinto para renovar o clima de trabalho, inclusive em proveito próprio. Um talento gerencial que a encaminha em direção a uma carreira política – detalhe que encontrou eco no lançamento do filme na França, em 2010, três anos depois de uma campanha eleitoral em que, pela primeira vez na história francesa, uma mulher, a socialista Segolène Royal, teve reais chances de vencer.
 
No ambiente familiar, também racha o esmalte da família perfeita, quando  surgem evidências do velho caso mantido entre o Sr. Pujol e sua dedicada secretária, Nadège (Karin Viard) e também do passado nada pudico da própria madame Pujol – que esconde um antigo e tórrido caso com o prefeito comunista e sindicalista, Babin (Gérard Depardieu).
 
O clima farsesco é admiravelmente sustentado pelo design dos cenários e figurinos, temperados com um ar retrô calcado no colorido “estampadão” dos anos 70, época da história, e que foram idealizados por duas colaboradoras habituais do diretor Ozon, a desenhista de produção Katia Wysztop e a figurinista Pascaline Chavanne.
 
O clima cômico ganha um reforço de peso com a deliciosa trilha sonora, que ressuscita alguns sucessos dos anos 70, como Emmène-moi danser ce soir, com Michèle Torr, More than a woman, dos Bee Gees (moldura de uma deliciosa cena à la Embalos de Sábado à Noite, envolvendo Deneuve e Depardieu) e C’est beau la vie, interpretada pela própria Deneuve. Aliás, o que há de melhor aqui é a desenvoltura com que estes dois monstros sagrados do cinema francês se entregam à sátira de si próprios em benefício da história e do público.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 25/06/2011 - 16h55 - Por abel neusa, qual o nome do filme em que os dois trabalhavam juntos do andre techine filme melhor que potiche.
  • 26/06/2011 - 12h43 - Por Neusa Barbosa oi Abel, é "Tempos que Mudam".

    abs
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