Um Novo Despertar

Um Novo Despertar

Ficha técnica


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Sinopse

Walter está deprimido e tenta se matar. Quando seu plano não dá certo, ele passa a se comunicar usando apenas um castor de pelúcia, o que traz diversas mudanças para sua família.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

18/05/2011

Como separar o Mel Gibson ator do Mel Gibson que, fora das telas, vive trocando os pés pelas mãos, falando besteiras e se envolvendo em confusão? A tarefa não é fácil e seu novo filme, Um novo despertar, sequer se dá ao trabalho de pedir ao público que faça essa diferenciação. Pois, até onde se vê, o protagonista possui muitas tintas que parecem vindas da palheta do ator.
 
Jodie Foster, que além de fazer a mulher do protagonista também é diretora do filme, foi corajosa. Não é qualquer que um escalaria o ator – e ela pagou o preço, aliás. O filme foi mal de bilheteria nos EUA e ela admitiu em Cannes, há alguns dias, que a presença de Gibson pode ter tido alguma influência neste mau resultado.
 
Gibson é Walter Black, pai de família, proprietário de uma fábrica de brinquedos que está em seu limite. Depois de uma tentativa frustrada de suicídio, começa a se comunicar usando apenas um castor de pelúcia. A família toda, que inclui dois filhos – o adolescente Porter (Anton Yelchin) e o caçula Henry (Riley Thomas Stewart) –, passa por uma transformação junto com o pai.
 
O roteiro do estreante Kyle Killen acredita na mudança dessa instituição chamada família. E a cura da depressão de Walter é tão poderosa que erradica também o mesmo mal da vida do filho mais velho por osmose. Talvez exista um certo cinismo em se aproximar de Um novo despertar esperando algo mais pungente – mas o filme parece o veículo perfeito para explicar o comportamento de Gibson.
 
O castor se torna o porta-voz de Walter e o acompanha a todos os lugares – inclusive ao banho ou a um jantar romântico com a mulher, Meredith (Jodie). No início é engraçado, mas depois se torna enfadonho. Porque a mulher não o interna de uma vez? Essa é a pergunta que ronda a cabeça de todos. Como era previsto, o bicho de pelúcia rouba a cena, porque é mais interessante do que todos os personagens juntos. É como se ganhasse vida própria e passasse a mandar em seu dono, dando ordens, guiando suas ações e falas.
 
O filho mais velho, também depressivo, se envolve com Norah (Jennifer Lawrence, de Inverno na Alma), que também tem problemas emocionais, e com a mãe dela. O filme sai ganhando quando se concentra mais nessa história e deixa de lado Walter e seu castor.
 
Transitando entre o trágico e o bizarro de toda a situação, Um novo despertar pede compaixão com Mel Gibson – o que, às vezes, pode ser exigir demais de um filme que não oferece muito em troca.

Alysson Oliveira


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