Meia-noite em Paris

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Sinopse

Em Paris com a noiva e os futuros sogros ricaços, o roteirista Gil Pendler pensa em morar na cidade e tornar-se finalmente escritor, como sempre quis. Numa noite, ele descobre casualmente uma porta mágica no tempo e conhece seus ídolos Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Gertrude Stein.


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Galeria de fotos

  • Carla Bruni e Owen Wilson
  • Carla Bruni
  • Owen Wilson e Rachel McAdams
  • Rachel McAdams e Owen Wilson

Crítica Cineweb

11/05/2011

Recorrendo mais uma vez à magia que inspirou alguns de seus melhores roteiros, como A Rosa Púrpura do Cairo e Simplesmente Alice, e sem por isso chegar à ficção científica, Woody elege o improvável Owen Wilson como o passageiro de uma viagem no tempo, rumo aos inquietos anos 20 em sua nova e deliciosa comédia, Meia-Noite em Paris, que abriu o último Festival de Cannes.
 
Transformar Wilson, ator de algumas comédias muito duvidosas, como a recente Passe Livre, no intérprete convincente desta história criativa, aliás, foi a primeira mágica do diretor. Na pele do roteirista Gil Pendler, cujo sonho é trocar Hollywood pela literatura, o ator assume seu costumeiro ar entre ingênuo e abobado, que cai bem, no entanto, a um personagem que descobre por acaso essa porta fantástica no tempo, que lhe permite trocar figurinhas com uma lista invejável de alguns dos maiores artistas da História. Entre eles, Scott e Zelda Fitzgerald (Tom Hiddleston e Alison Pill), Ernest Hemingway (Corey Stoll), Gertrude Stein (uma impagável Kathy Bates), Pablo Picasso (Marcial Di Fonzo Bo), Henri Matisse (Yves-Antoine Spoto) e Salvador Dalí (uma breve e inspirada participação de Adrien Brody).
 
A porta mágica fica dentro de um calhambeque Peugeot, onde Gil embarca numa noite em que se perdeu pelas ruas de Paris – depois de deixar a noiva Inez (Rachel McAdams) sair com outro casal de amigos, em que um deles é Paul (Michael Sheen), um pseudo-intelectual pedante que Gil simplesmente não aguenta mais ver pela frente.
 
Cabe a ninguém menos do que a primeira-dama francesa, Carla Bruni, abalar a pose de Paul, bem no momento em que ele montava um discurso com algumas imprecisões sobre a vida de Auguste Rodin. Carla interpreta a guia do museu da obra do célebre escultor, um dos locais mais belos de Paris, e tem três cenas no filme, duas ali mesmo, outra num banco diante da catedral de Notre-Dame.
 
Para quem ama Paris, como o diretor e a maioria da humanidade, o filme é um prazer desde as primeiras sequências, que percorrem alguns dos pontos cardeais da paisagem afetiva da cidade que já foi descrita como uma festa. Esse foi o título aliás, de um livro do próprio Hemingway, um dos expatriados americanos em Paris que participam ativamente da fantasia viva de Gil.  
 
É numa personagem fictícia, no entanto, Adriana (Marion Cottilard), musa de Picasso, que o filme sintetiza a fantasia romântica que abala Gil mais profundamente, levando-o a reavaliar seu noivado com Inez – a quem cabe, o tempo todo, a função de desmancha-prazeres do noivo sonhador.
 
Nenhum elemento desta boa receita funcionaria, no entanto, sem um equilíbrio entre a beleza, a poesia, o humor e umas pitadas de discussão sobre o sentido da vida, de estarmos aqui, nesta época, sonhando sempre com outra, geralmente no passado e que idealizamos o bastante para acreditar que foi melhor. Brincando com essa idéia simples, embalada em várias músicas de Cole Porter, Meia-Noite em Paris soa afinado como um violino e nunca esquece de fazer sorrir. Às vezes, faz rir muito das piadas com um perfume intelectual, nada pedante, que Woody sempre soube fazer tão bem.
 
Desta vez, ele acertou em cheio. Se bem que, para aproveitar mesmo a série de boas piadas do roteiro – entre elas, uma em que Gil sugere uma ideia cinematográfica a Luis Buñuel (Adrien de Van) -, o espectador precisa ter um mínimo de informação sobre esta rica galeria de artistas do passado encontrados neste benvindo túnel do tempo. Nada que o público habitual de Woody Allen não possa dar conta.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 18/06/2011 - 00h23 - Por Ana Paula Genial, lírico, antológico! O diálogo de Gil com Buñuel e Dalí, quando o roteirista diz "mas vocês são surrealistas", é de uma sutileza à altura da genialidade de Woody Allen. Um diretor que, vez ou outra, comete um deslize (e que ainda assim é sempre acima da média), mas que invariavelmente ressurge magistral, como em "Meia-noite em Paris". Deu dó quando acabou...
  • 19/06/2011 - 12h17 - Por abel neusa vc que e profunda conhecedora da obra de woody allen cite pelo menos cinco filmes essenciais. pra mim rosa purpura do cairo,manhattan, noivo neurotico noiva nervosa,zelig,a era do radio, vicky cristina barcelona.
  • 20/06/2011 - 11h55 - Por Marcio_LG Neusa, dizer que Woody Allen fez mágica com Owen Wilson é demonstrar falta de conhecimento com umas das características principais do diretor: o fato de não dirigir os atores. Sean Penn foi dos que mais sofreu no passado (chegando quase a abandonar o projeto "Sweet Loundown" que, no entanto, lhe rendeu uma indicação ao Oscar). Não tire o mérito de Owen Wilson, o esforço foi dele. E, outro detalhe importante, é bom reconhecer que o roteiro não é dos melhores, muito descritivo, acabou afastando Allen de obras mais poéticas, como "A rosa púrpura do Cairo". Mesmo assim, claro, esse filme consegue alinahr-se entre os bons trabalhos do diretor.
  • 20/06/2011 - 13h18 - Por Neusa Barbosa oi Ana Paula:
    concordo com vc, deu dó quando acabou o filme... É sensacional!
    E também concordo que os "maus momentos" de Woody Allen são melhores que os bons de muitos outros diretores.

    Abel, cinco só?
    Eu incluiria na sua lista "Crimes e Pecados", "Desconstruindo Harry" e "Match Point". E manteria "Rosa Púrpura...", "Noivo neurótico, noiva nervosa" (que nome horrível pra "Annie Hall"...),"Manhattan", "Zelig" e "A Era do Rádio".
    Mas e "Hannah e suas irmãs"?
    Tá vendo, cinco não dá...
    bjs

    Neusa
  • 20/06/2011 - 13h26 - Por Neusa Barbosa Oi Marcio:

    O fato é que Owen Wilson tem feito muitos filmes tranqueira. E ele ter se saído bem aqui deve ao diretor também, por mais que Allen dê, sabidamente, muita liberdade aos atores. Mas eles não fazem só o que querem no set... Aí, me desculpe, quem demonstra falta de conhecimento de como ocorre uma produção de cinema é vc...

    Não tiro mesmo o mérito do Wilson! Claro que tem e muito. Mas as dicas do Woody Allen, certamente, o ajudaram.

    Discordo totalmente que o roteiro não seja dos melhores. Acho que é dos melhores. Especialmente no que diz respeito à viagem no tempo e ao encontro do Gil com aqueles artistas todos.

    Não é poético como "Rosa Púrpura", certamente. E poderia ser um pouco melhor talvez no núcleo da família, na relação com a noiva Inez...

    Mesmo assim, é ótimo.

    abs

    Neusa
  • 20/06/2011 - 17h24 - Por Marcio_LG Neusa, me desculpe pelo termo "falta de conhecimento", lendo-o agora, me pareceu um tanto pedante.
    E quando escrevi que o roteiro "não era dos melhores", me referia ao fato de Allen ficar explicando tudo e dando nome a todos os bois que apareciam. Não tivemos chance de ligar (por nós mesmos) os nomes às pessoas. No restante, o roteiro é bem construído, com soluções ágeis e tratamento adequado aos personagens (inclusive da parte atual que, só não foi mais desenvolvido, porque foi tema do filme anterior do diretor).
  • 20/06/2011 - 17h44 - Por Neusa Barbosa oi Marcio:
    realmente, é um termo um tanto indelicado, né?

    quanto a Woody ficar explicando quem é quem, acho que não é tanto assim... Às vezes se recorre a isso, para que o filme se torne mais acessível, amplamente. Nem todo mundo reconhece tão rapidamente os personagens e o filme pretende que o público saque logo e ria junto.

    Cinema é um negócio muito rápido, então, os diretores tentam dar uma ajudinha...

    No mais, estamos de acordo. E acho que gostamos bem do filme, né?

    abraço,

    Neusa
  • 20/06/2011 - 23h26 - Por Marcio_G Opa! De acordo.

    Até o próximo filme em comum...

  • 26/06/2011 - 12h45 - Por Neusa Barbosa Claro, até o próximo!
    sem ressentimentos.
    abs
  • 26/06/2011 - 13h03 - Por sonia Eu simplesmente adorei este filme do Woody Allen !!Inteligente ,leve,com ótimos diálogos sem deixar de "discutir"fatos da vida de todas as pessoas como o eterno descontentamento do ser humano com sua época .Wood Allen consegue transformar algo banal , em um excelente filme .
  • 06/07/2011 - 01h01 - Por Gabriel Moraes Nunca vi nenhum filme do Woody Allen. Ou melhor, vi um pouco do Vicky Cristina Barcelona e não gostei muito do modo como o filme foi conduzido.Todos que comentaram nessa página parecem ser grandes fãs de seu trabalho.Desculpe se ofendo alguém.
  • 08/07/2011 - 20h55 - Por Fabio Medici esse filme e tao bom, que ate minha esposa, que nao gosta de Woody Allen, gostou.
    Dialogos ageis sao marca registrada do diretor e roteirista, mas tenho a sensacao de que ele tinha "perdido" um pouco o senso de humor.
    Que bom que ele retornou...
  • 29/03/2013 - 04h15 - Por :) schopenhauer travestido
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